Sonhar pode gastar a energia do cérebro mais rápido do que ele repõe
Durante o sono REM, o sangue e o combustível que chegam ao cérebro aumentam. Mas a energia realmente disponível dentro dos neurônios cai. Cientistas japoneses chamam isso de paradoxo energético do sonho.
O sono REM é a fase em que a gente mais sonha, e sempre foi um enigma: o cérebro fica quase tão ativo quanto acordado, só que dormindo. Um novo estudo japonês olhou para o que acontece com a energia do cérebro nesse momento e achou algo que parece uma contradição.
A equipe da Universidade de Tohoku mediu, ao mesmo tempo, o fluxo de sangue e os níveis de energia dentro dos neurônios durante o sono REM. O suprimento de sangue ao cérebro começa a subir até antes de o REM começar, e o combustível trazido pelas células de apoio (o piruvato produzido pelos astrócitos) também aumenta. Seria de esperar que, com mais combustível chegando, sobrasse mais energia. Aconteceu o contrário: o ATP, a "moeda" de energia imediata dos neurônios, cai de forma clara.
A leitura dos pesquisadores é que sonhar exige um processamento interno tão intenso que os neurônios queimam energia mais rápido do que conseguem repor, mesmo com o abastecimento reforçado. É como um carro que enche o tanque e acelera tanto que o ponteiro cai assim mesmo. Daí o nome: um paradoxo energético, mais combustível entrando e menos energia disponível.
Por que isso importa no Brasil
Dormir mal é epidemia no Brasil, com muita gente convivendo com insônia, apneia e noites picadas. Entender que o sono REM é um momento de gasto energético altíssimo do cérebro ajuda a explicar por que ele é tão importante para consolidar memória e regular o humor, e por que perder essa fase cobra um preço. Não é uma receita de tratamento, mas é o tipo de peça básica que a ciência precisa encaixar antes de entender melhor distúrbios do sono e sua ligação com saúde mental, algo que interessa a milhões de brasileiros.
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