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Cultura

Uma língua perdida ganha cinco letras e fica mais perto de ser lida de novo

Pesquisadores na Turquia identificaram novas letras do sidético, idioma morto há dois mil anos, elevando seu alfabeto conhecido de 26 para 31 sinais.

Por Redação Watermouse Media16 de setembro de 20263 min de leitura

Imagine encontrar cinco letras novas de um alfabeto que ninguém mais sabe ler. Foi o que aconteceu na antiga cidade de Side, na costa mediterrânea da Turquia, onde pesquisadores identificaram cinco caracteres inéditos do sidético, uma língua morta há cerca de dois mil anos. Com isso, o alfabeto conhecido do idioma saltou de 26 para 31 letras, um passo importante rumo à sua decifração.

O trabalho é liderado pela professora Feriştah Alanyalı, da Universidade de Anadolu, em parceria com o linguista italiano Alfredo Rizza e a linguista austríaca Michaela Zinko. As novas letras apareceram em inscrições bilíngues recém-escavadas no sítio, com textos de 30 a 40 linhas. São justamente os textos bilíngues, que trazem a mesma mensagem em grego e em sidético, que funcionam como uma espécie de pedra de Roseta, permitindo comparar e deduzir o som de cada sinal.

O sidético pertence ao ramo anatólio das línguas indo-europeias, o mesmo do lício e do cário, e era falado em Side entre os séculos 5 e 2 antes de Cristo. Decifrá-lo é difícil porque sobraram poucos vestígios, na maioria inscrições curtas de uma ou duas linhas, o que torna quase impossível reconstruir a gramática e o vocabulário com segurança. Cada texto mais longo, como os agora encontrados, vale ouro.

Por que isso importa no Brasil

A história de recuperar uma língua perdida ecoa um drama que o Brasil vive no presente, e do lado contrário do tempo. O país abriga mais de uma centena de línguas indígenas, muitas delas faladas por pouquíssimas pessoas e em risco real de desaparecer nas próximas décadas. Enquanto na Turquia linguistas juntam letra por letra para reconstruir um idioma que morreu há dois mil anos, aqui a corrida é para documentar, gravar e ensinar línguas que ainda estão vivas, antes que se tornem o próximo enigma a ser decifrado. As duas pontas contam a mesma verdade: quando uma língua some, some com ela um jeito inteiro de enxergar o mundo.

Fonte: com base em reportagem da Archaeology Magazine sobre a pesquisa da Universidade de Anadolu no sítio de Side (junho de 2026). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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