Todas as notícias
Cultura

A assinatura de um mestre canteiro de 1305 emerge de um cemitério na Turquia

Numa lápide de 700 anos, restauradores acharam o nome do artesão que a esculpiu: "Mestre Muhammed, de Tabriz". E ele deixou sua marca num lugar que destoa dos colegas.

Por Redação Watermouse Media2 de outubro de 20263 min de leitura

Quase tudo o que sobrou da Idade Média foi feito por mãos anônimas. Catedrais, túmulos, manuscritos: a esmagadora maioria dos artesãos trabalhou sem deixar o nome. Por isso, quando um deles assina a própria obra, é como se atravessasse sete séculos para se apresentar. Foi o que aconteceu num cemitério histórico no leste da Turquia.

Durante trabalhos de escavação e restauração no Cemitério Seljúcida de Gevaş, no distrito de mesmo nome na província de Van, pesquisadores identificaram uma nova inscrição numa das lápides. Ela traz a fórmula "Amel-i Üstad Muhammed el-Tebrizi", que se traduz como "obra do Mestre Muhammed de Tabriz". O nome revela não só quem esculpiu a peça, mas de onde ele veio: Tabriz, cidade do atual Irã, então um grande polo de arte e arquitetura do mundo islâmico. Um artesão que migrou para exercer seu ofício longe de casa.

Com essa descoberta, sobe para quatro o número de mestres canteiros cujas assinaturas já foram encontradas no cemitério. Mas Muhammed fez algo diferente dos outros três: enquanto eles assinavam no topo das lápides, ele escondeu sua marca no pé da pedra, uma pequena excentricidade que, séculos depois, diz algo sobre sua personalidade. A lápide em questão é datada de 1305. O cemitério, que abriga também o célebre mausoléu de Halime Hatun, é um dos conjuntos funerários seljúcidas mais importantes da Anatólia.

Por que isso importa no Brasil

A história do artesão anônimo que ganha nome é universal, e muito nossa. Boa parte do patrimônio colonial brasileiro, das igrejas barrocas de Minas aos santos esculpidos pelo interior, também foi feita por mãos que a história não registrou. Cada vez que uma restauração revela uma assinatura, um risco de autoria ou a marca de um ateliê, recuperamos não só uma obra, mas uma pessoa. É um lembrete de por que financiar restauro e pesquisa de acervos importa: não se trata de mexer em pedra velha, e sim de devolver nomes a quem construiu o mundo que herdamos.

Fonte: com base no balanço de setembro da Turkish Archaeonews sobre as escavações no Cemitério Seljúcida de Gevaş, em Van (Turquia), setembro de 2026. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

Gostou? Receba as próximas.

As notícias internacionais que importam, em português, uma vez por semana.

Assinar a newsletter