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Cultura

Oficina de cobre de 9.000 anos na Turquia revela indústria já organizada no Neolítico

Em Çayönü, arqueólogos encontraram um espaço construído de propósito para processar minério de cobre. É um dos registros mais antigos de produção de metal feita em série, e não por acaso.

Por Redação Watermouse Media2 de outubro de 20264 min de leitura

Quando pensamos em "indústria", costumamos imaginar algo moderno: galpões, linhas de produção, gente especializada em uma única tarefa. Uma descoberta no sudeste da Turquia empurra essa ideia muito mais para trás no tempo. Em Çayönü, um dos sítios neolíticos mais importantes do mundo, arqueólogos identificaram uma oficina de processamento de cobre de cerca de 9.000 anos, montada de forma deliberada para produzir, não um canto improvisado onde alguém mexia com metal de vez em quando.

O espaço fica na parte oeste do assentamento antigo, no distrito de Ergani, na província de Diyarbakır, e é datado em torno de 6900 a 6800 a.C. Tem cerca de cinco metros quadrados e vários detalhes que denunciam planejamento: pelo menos seis buracos de poste ao redor, sinal de que havia uma cobertura protegendo a área, e um piso de pedra no centro, onde os artesãos trabalhavam o material. No chão, a equipe encontrou 42 fragmentos de malaquita, o minério verde de onde se extrai o cobre, boa parte concentrada justamente na zona central de trabalho.

O que torna o achado notável não é só a idade, mas o grau de organização. O uso de cobre e malaquita em Çayönü já era conhecido e remonta a cerca de 9100 a.C.; o novo achado mostra que essa tradição técnica continuou por aproximadamente 2.000 anos e que, com o tempo, certas atividades passaram a ser feitas em lugares específicos, reservados para aquela função. Em outras palavras: já havia divisão de trabalho e um espaço dedicado à produção, muito antes da chamada Idade do Metal.

Por que isso importa no Brasil

Histórias assim recolocam o Brasil num debate maior: o de que a "pré-história" não era um tempo de gente desorganizada esperando a civilização chegar. As sociedades antigas, aqui e lá, dominavam técnicas sofisticadas e organizavam o trabalho de maneiras que ainda nos surpreendem. É um bom contraponto para quem estuda as populações originárias do nosso território, cujas tecnologias, da cerâmica marajoara ao manejo das florestas, também costumam ser subestimadas. Entender como o conhecimento técnico nasce e se transmite entre gerações ajuda a enxergar melhor a nossa própria história, não só a do Oriente Médio.

Fonte: com base em reportagem publicada pelo HeritageDaily sobre as escavações em Çayönü Tepesi (Ergani, Diyarbakır, Turquia), setembro de 2026. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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