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Ciência

Disco da Via Láctea pode ter crescido de cabeça para baixo, com estrelas mais jovens em camadas cada vez mais finas

Com dados do telescópio Gaia, um estudo identifica uma mudança brusca no ritmo de afinamento do disco há cerca de 10,85 bilhões de anos. Para quem lidera o estudo, é a primeira evidência observacional clara a favor de um de dois modelos.

Por Redação Watermouse Media8 de novembro de 20264 min de leitura
Ilustração de uma galáxia espiral vista de lado, fina como um disco, com um brilho amarelado no centro
Ilustração da Via Láctea vista de lado, baseada em dados do Gaia. Imagem ilustrativa. Crédito: ESA, CC BY-SA 3.0 IGO, via Wikimedia Commons.

O disco da Via Láctea pode ter crescido "de cabeça para baixo": as primeiras estrelas se formaram numa camada espessa, e as gerações seguintes nasceram em camadas cada vez mais finas. A conclusão é de um estudo liderado por David Mirabal, em pesquisa pré-doutoral no Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), publicado no The Astrophysical Journal Letters (2026; DOI 10.3847/2041-8213/aeb0a3), com dados do telescópio Gaia. O texto em que nos baseamos é uma reportagem do Phys.org, que não nomeia outros autores nem instituições.

O que foi medido

Os dados são da terceira divulgação do Gaia (DR3, de junho de 2022). A equipe ajustou diagramas de cor e magnitude para obter distribuições de idade e metalicidade e perfis verticais, ou seja, a posição das estrelas no disco fino ou grosso. A reportagem não diz quantas estrelas foram analisadas.

O ritmo de afinamento vertical mudou de forma brusca há cerca de 10,85 bilhões de anos, alguns bilhões de anos depois do Big Bang. Antes dessa quebra, a altura característica do disco caiu de mais de 1,26 kpc para cerca de 0,5 kpc em aproximadamente 2 bilhões de anos (de uns 4.100 para 1.600 anos-luz, na conversão do texto). Depois, o afinamento foi gradual, com altura de cerca de 0,1 kpc (uns 400 anos-luz) nas populações mais jovens. Os autores descrevem duas fases: uma época inicial muito turbulenta, que formou o disco grosso, e um período posterior mais calmo, de assentamento gradual do gás, que formou o disco fino.

O que significa "de cabeça para baixo"

Pela leitura dos autores, a estrutura vertical do disco cresceu a partir da camada espessa para dentro: as estrelas do disco grosso nasceram ali, quando o disco todo era muito mais espesso, e não foram espalhadas para lá depois. O modelo concorrente supõe que as estrelas nascem no disco fino e são empurradas para fora mais tarde por nuvens de gás, braços espirais ou pela barra central. "Isso é a primeira evidência observacional clara a favor de um dos dois modelos para a fase inicial da galáxia", diz Mirabal (tradução livre).

Para entender o contexto

A Via Láctea é uma galáxia espiral, com um disco achatado onde fica o Sol, e o disco tem partes mais grossas e mais finas. A forma como ele se construiu é debatida: um modelo diz que a galáxia se formou "de dentro para fora", com o disco crescendo do centro para as bordas; outro defende o contrário, o crescimento "de cabeça para baixo", com um disco que começa grosso e vai afinando conforme nascem estrelas mais jovens.

O satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, mediu com precisão a posição e o movimento de bilhões de estrelas, o que permitiu reconstruir a história da nossa galáxia. Conclusões desse tipo dependem de modelos para estimar a idade das estrelas, então outros estudos podem confirmar ou questionar o resultado.

Termos úteis

  • Disco galáctico: Estrutura achatada e giratória de uma galáxia espiral, onde ficam a maior parte das estrelas e do gás.
  • Gaia: Satélite da Agência Espacial Europeia que mapeou a posição e o movimento de bilhões de estrelas.
  • Arqueologia galáctica: Estudo da história de uma galáxia a partir das propriedades de suas estrelas.

As ressalvas

A reportagem lembra que idades estelares precisas são difíceis de obter, sobretudo para as estrelas mais antigas, e que isso dificultava distinguir os dois modelos. Em simulações, as duas formas de formação eram possíveis. O texto não discute tamanho da amostra, incertezas sistemáticas nem outras limitações da medida de idades ou do ponto de quebra.

Fonte: com base em reportagem do Phys.org (outubro de 2026), sobre estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters (2026; DOI 10.3847/2041-8213/aeb0a3). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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