As primeiras estrelas podem explicar as galáxias "estranhas" que o James Webb achou
Astrônomos mediram estrelas gigantes e "pobres em metais" e descobriram que seus ventos são bem mais fracos do que se pensava. Isso muda como elas vivem e morrem, e pode explicar por que o telescópio James Webb vê galáxias antigas tão esquisitas.
Desde que entrou em operação, o telescópio espacial James Webb virou uma máquina de perguntas: ele enxerga galáxias do universo muito jovem que parecem brilhantes e complexas demais para a época. "O Webb abriu um monte de novas perguntas sobre a evolução dessas galáxias antigas, elas são estranhas", resume a astrônoma Grace Telford. Um novo estudo que ela lidera pode ter achado uma peça que faltava, e ela está nas estrelas.
O trabalho, da Universidade de Utah, faz parte de um projeto chamado TEMPOS, que mede estrelas do tipo O, as mais massivas e quentes, em galáxias anãs próximas que são "pobres em metais", ou seja, com pouca quantidade de elementos além de hidrogênio e hélio, parecidas com as primeiras galáxias do universo. A equipe analisou 29 dessas estrelas com o Telescópio Espacial Hubble e descobriu algo inesperado: quando o ambiente tem menos de cerca de 10% dos metais do Sol, os ventos estelares (o material que a estrela expele) enfraquecem muito mais rápido do que as previsões antigas indicavam.
Parece um detalhe técnico, mas muda o roteiro de vida dessas estrelas. Ventos mais fracos significam que elas seguram mais massa ao longo da vida, o que altera como explodem em supernova e quanta energia e matéria devolvem para a galáxia, justamente os ingredientes que regulam a formação de novas estrelas. Aplicado ao universo primitivo, isso ajuda a entender por que as galáxias antigas vistas pelo Webb crescem e brilham de um jeito que os modelos não previam.
Por que isso importa no Brasil
Astronomia não tem passaporte: o céu é o mesmo para todo mundo, e o Brasil tem uma comunidade ativa de astrofísica em universidades públicas, além de participação em grandes observatórios internacionais. Entender como as primeiras estrelas moldaram as primeiras galáxias é uma peça central da história de como o universo, e tudo o que há nele, chegou até aqui. É também um lembrete de que boa parte da ciência que reescreve nossos livros vem de medir com cuidado coisas aparentemente pequenas, como o vento de uma estrela distante.
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