Long COVID danifica neurônios de dopamina, mostra estudo com imagem cerebral
Exames de PET encontraram até 20% menos densidade de terminais de dopamina no cérebro de quem tem COVID longa. Uma explicação biológica pra fadiga e a névoa mental, e uma pista de tratamento.
A COVID longa sempre teve um problema de credibilidade: sintomas reais, mas difíceis de enxergar num exame. Um novo estudo canadense muda isso. Usando imagem cerebral, pesquisadores encontraram a evidência mais forte até agora de que a COVID longa está associada a um dano nos neurônios que liberam dopamina no cérebro, o mesmo mensageiro químico ligado a motivação, movimento e prazer.
A equipe, liderada por cientistas do Centre for Addiction and Mental Health (CAMH), em Toronto, usou a tomografia por emissão de pósitrons (PET), técnica que mede a atividade biológica dentro do cérebro. Eles compararam um marcador ligado à saúde dos neurônios de dopamina em pessoas com COVID longa e em participantes saudáveis. O resultado: níveis substancialmente mais baixos em todas as principais áreas do estriado dos pacientes, o que indica uma densidade reduzida de terminais nervosos de dopamina, com uma queda de até 20%.
Mais do que um número, o dano acompanhou os sintomas. Padrões diferentes de perda do marcador se ligaram a queixas específicas: níveis mais baixos no estriado ventral, por exemplo, se associaram a uma maior perda de motivação. É a explicação que faltava pra sintomas tão comuns quanto frustrantes, a fadiga que rouba a vontade, a lentidão dos movimentos e as falhas de memória.
Por que isso importa no Brasil
Poucos países foram tão atingidos pela pandemia quanto o Brasil, e milhões de brasileiros convivem até hoje com sintomas persistentes de COVID longa, muitas vezes sem diagnóstico claro nem tratamento. Aqui está o lado prático do achado: se o problema é a dopamina, remédios que já existem e que atuam nesse sistema podem virar terapia. Os pesquisadores citam precursores de dopamina e inibidores da sua metabolização (como os inibidores da MAO-B), e planejam um ensaio clínico pra testar se essas drogas reduzem a fadiga e melhoram a motivação e a memória. Seria um dos primeiros tratamentos da COVID longa baseados num mecanismo de verdade, e não em tentativa e erro.
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