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Eólica e solar superam os fósseis na União Europeia pela primeira vez

Em 2025, vento e sol geraram 30% da eletricidade do bloco, à frente dos 29% dos combustíveis fósseis. Um ponto de virada que vinha sendo construído há anos.

Por Redação Watermouse Media15 de setembro de 20264 min de leitura
Turbinas eólicas no mar.
Parque eólico offshore. Foto: Andy Dingley, CC BY-SA 3.0.

Aconteceu pela primeira vez: em 2025, a energia eólica somada à solar gerou mais eletricidade do que todos os combustíveis fósseis juntos na União Europeia. Foram 30% da geração elétrica do bloco para vento e sol, contra 29% para carvão, gás e petróleo somados. O dado é do relatório European Electricity Review 2026, do centro de pesquisa energética Ember, publicado em 22 de janeiro.

O destaque do ano foi o sol. A geração solar cresceu mais de 20% pelo quarto ano seguido e chegou a um recorde de 13% da eletricidade da UE, ultrapassando tanto o carvão quanto as hidrelétricas. A eólica se manteve como a segunda maior fonte de eletricidade do bloco, com 17%, gerando mais do que o gás. Em 14 dos 27 países da UE, vento e sol já superaram todas as fontes fósseis combinadas.

A vantagem ainda é apertada, 30% contra 29%, mas a tendência é o que importa. Em cinco anos, a fatia de eólica e solar saltou de 20% (2020) para 30% (2025), enquanto a dos fósseis caiu de 37% para 29% no mesmo período. "Este momento histórico mostra o quão rápido a UE está caminhando para um sistema elétrico sustentado por vento e sol", afirmou Beatrice Petrovich, analista sênior da Ember.

Por que isso importa no Brasil

O Brasil parte de uma posição invejável: sua matriz elétrica já é uma das mais limpas do mundo, puxada pelas hidrelétricas. Mas o país vive exatamente o mesmo boom que levou a Europa a esse marco: a energia solar, sobretudo a de telhado e a dos grandes parques do Nordeste, e a eólica são hoje as fontes que mais crescem por aqui. A experiência europeia serve de espelho e de alerta: quanto mais vento e sol entram na rede, mais o sistema precisa de armazenamento, linhas de transmissão e regras novas para dar conta de fontes que variam com o clima. É a próxima fronteira da conta de luz, na Europa e no Brasil.

Para entender o contexto

A União Europeia vem ampliando a geração solar e eólica há anos, impulsionada por metas climáticas e pela busca de reduzir a dependência de gás importado, tema que ganhou urgência depois de 2022. Quando se diz que essas fontes "superam os fósseis", a comparação costuma ser da eletricidade gerada em um período, não de toda a energia consumida, que inclui transporte e aquecimento.

Para o Brasil, que já tem uma matriz elétrica majoritariamente renovável, graças às hidrelétricas, a experiência europeia mostra desafios que também aparecem aqui, como a necessidade de redes, de armazenamento e de gerenciar a variação da geração solar e eólica ao longo do dia e do ano.

Termos úteis

  • Matriz elétrica: Conjunto de fontes usadas para gerar a eletricidade de um país.
  • Intermitência: Variação da geração conforme o sol e o vento, que não são constantes.
  • Armazenamento: Sistemas, como baterias, que guardam energia para usar quando a geração é menor.
Fonte: com base no relatório European Electricity Review 2026, do centro de pesquisa Ember (22 de janeiro de 2026). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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