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China ultrapassa a Rússia e vira a maior parceira comercial da Ásia Central

O comércio entre a China e os cinco países da região bateu US$ 106,3 bilhões em 2025, o dobro do russo. Um reposicionamento silencioso no quintal histórico de Moscou.

Por Redação Watermouse Media15 de setembro de 20264 min de leitura

Por décadas, quem mandava no comércio da Ásia Central era a Rússia, herança direta da era soviética. Esse mapa mudou de dono. O intercâmbio comercial entre a China e os cinco países da região (Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão) alcançou US$ 106,3 bilhões em 2025, alta de 12% sobre 2024. É a primeira vez que a marca dos US$ 100 bilhões é superada, e o valor é cerca do dobro do comércio russo com a mesma região.

Os números vêm da Administração Geral de Alfândegas da China e foram citados pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, em 19 de janeiro. As exportações da China para a Ásia Central somaram US$ 71,2 bilhões (alta de 11%), puxadas por máquinas, eletrônicos e produtos de alta tecnologia. Na outra ponta, a China importou US$ 35,1 bilhões da região (alta de 14%), sobretudo petróleo, gás natural e outras matérias-primas.

A composição conta a história por trás do número: a China vende tecnologia e manufatura, e compra energia e commodities. É o mesmo padrão que Pequim exporta para boa parte do mundo em desenvolvimento, agora aplicado a uma região que Moscou considerava sua zona natural de influência. Analistas, porém, ponderam que domínio econômico não é o mesmo que aceitação política: pesquisadores que acompanham a região registram um aumento das visões negativas sobre a China e episódios de resistência local a projetos chineses.

Por que isso importa no Brasil

A China é, de longe, a maior parceira comercial do Brasil, e a lógica que aparece na Ásia Central é a mesma que rege boa parte da relação bilateral: o Brasil vende commodities (soja, minério, petróleo) e compra manufaturados e tecnologia. Ver Pequim assumir o posto de maior parceira em uma região que era o quintal da Rússia ajuda a entender a direção da estratégia chinesa: adensar rotas terrestres, energia e infraestrutura ao longo da Nova Rota da Seda. Para um país exportador como o Brasil, acompanhar como a China estrutura essas relações, e onde surgem atritos, é ler o próprio futuro comercial com antecedência.

Fonte: com base em reportagem do The Times of Central Asia sobre dados da Administração Geral de Alfândegas da China (janeiro de 2026); a ressalva sobre percepção política se apoia em análises de centros de pesquisa que acompanham a região. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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