Sítio de 'Ubeidiya, no Vale do Jordão, tem pelo menos 1,9 milhão de anos, indica nova datação
Três métodos independentes apontam uma idade maior que as estimativas anteriores, de 1,2 a 1,6 milhão de anos. A idade é um mínimo, e a ideia de migrações sobrepostas é uma interpretação dos autores.
O sítio pré-histórico de 'Ubeidiya, no Vale do Jordão, ao sul do Mar da Galileia, tem pelo menos 1,9 milhão de anos, segundo um estudo publicado na Quaternary Science Reviews (2026; DOI 10.1016/j.quascirev.2026.109871). Antes, as estimativas variavam de 1,2 a 1,6 milhão de anos. A idade nova o coloca na mesma faixa de Dmanisi, na Geórgia, e os dois estão entre os mais antigos sítios humanos conhecidos fora da África. O texto de divulgação é da Universidade Hebraica de Jerusalém, reproduzido pelo ScienceDaily, e é nele que nos baseamos. Entre os autores estão Ari Matmon (Universidade Hebraica), Omry Barzilai (Universidade de Haifa) e Miriam Belmaker (Universidade de Tulsa).
O que há no sítio
'Ubeidiya reúne uma das primeiras evidências da tradição acheulense, que inclui grandes ferramentas lascadas dos dois lados, como os machados de mão. Também tem fósseis de animais associados à África e à Ásia, vários hoje extintos. As idades anteriores vinham de comparações com outras evidências, e não de datação direta.
Três métodos independentes
A equipe usou datação por isótopos cosmogênicos de enterramento, que mede isótopos raros formados por raios cósmicos em rochas da superfície e que decaem a taxas conhecidas depois que a rocha é soterrada; paleomagnetismo, já que os sedimentos de fundo de lago registraram a orientação do campo magnético da Terra e foram depositados durante o Cron Matuyama, iniciado há mais de dois milhões de anos; e datação por urânio-chumbo de conchas de caramujos de água doce do gênero Melanopsis, que deu uma idade mínima para as camadas com as ferramentas.
Um problema, e como foi resolvido
As primeiras medições cosmogênicas sugeriam que algumas rochas teriam cerca de três milhões de anos, o que contrariava as outras evidências. Os autores atribuem isso à reciclagem de sedimentos: parte do material já estava enterrada há muito tempo antes de ser erodida, transportada e depositada de novo na margem do antigo lago de 'Ubeidiya, no rifte do Mar Morto. Ao considerar essa história, os dados passaram a concordar.
Para entender o contexto
'Ubeidiya fica no Vale do Jordão, em Israel, um corredor natural que ligava a África à Ásia, e é um dos sítios mais antigos conhecidos da presença humana fora do continente africano. Os humanos antigos, do gênero Homo, saíram da África em ondas, o primeiro grande exemplo conhecido é o de Dmanisi, na Geórgia, de cerca de 1,8 milhão de anos.
Datar um sítio tão antigo é difícil, e usar três métodos independentes dá mais confiança no resultado. Uma idade "mínima" significa que o sítio tem pelo menos aquela idade, podendo ser mais velho. A ideia de migrações sobrepostas é uma interpretação dos autores, e os debates sobre as primeiras saídas da África continuam.
Termos úteis
- Sair da África: Movimentos de populações de humanos antigos da África para outros continentes.
- Levante: Região do leste do Mediterrâneo, incluindo Israel, Jordânia, Líbano e Síria.
- Datação independente: Uso de vários métodos distintos para datar uma mesma amostra, a fim de conferir o resultado.
As ressalvas
Os 1,9 milhão de anos são um mínimo, porque a datação das conchas dá uma idade mínima. A comparação com Dmanisi e a ideia de que grupos com diferentes tradições de ferramentas teriam chegado ao Levante em períodos que se sobrepõem são interpretações apresentadas como sugestões, não como conclusões fechadas. O texto original foi editado pelo ScienceDaily para estilo e tamanho.
Gostou? Receba as próximas.
As histórias que não chegam em português, uma vez por semana, em 3 minutos de leitura. Sem spam.
Ao assinar, você concorda em receber a newsletter (com confirmação e link para sair em todo envio) e, conforme a política de privacidade, com o uso dos seus dados para medição e anúncios.