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Webb mede que o planeta de lava TOI-561 b reflete cerca de 75% da luz da estrela, índice comparável ao de Vênus

Durante 37 horas, o telescópio espacial James Webb acompanhou um mundo rochoso de superfície derretida a 280 anos-luz daqui. O brilho alto sugere nuvens de silicato e uma atmosfera que ainda sobrevive, mas a composição segue desconhecida.

Por Redação Watermouse Media31 de outubro de 20265 min de leitura
Concepção artística de um planeta rochoso escuro, com borda iluminada, ao lado de uma estrela brilhante alaranjada
Concepção artística de um exoplaneta rochoso com possível atmosfera ao lado de sua estrela, imagem ilustrativa divulgada pela equipe do Webb; não é uma foto do TOI-561 b. Crédito: James Webb Space Telescope (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons.

Um planeta rochoso a cerca de 280 anos-luz da Terra, com superfície derretida pelo calor da própria estrela, brilha mais do que se esperava. Observações do telescópio espacial James Webb indicam que o TOI-561 b reflete cerca de 75% da luz que recebe, um valor que os autores comparam ao de Vênus. O estudo foi publicado no The Astronomical Journal, com liderança da professora Lisa Dang, da Universidade de Waterloo, no Canadá. Se quiser entender como o Webb enxerga esses mundos, temos um guia sobre Webb, Hubble e o infravermelho.

O que foi observado

O Webb monitorou o planeta por 37 horas, o que cobriu quase quatro órbitas completas ao redor da estrela. Com isso, a equipe mediu como o brilho e o calor do planeta mudavam ao longo da órbita, a chamada curva de fase. A reflexividade alta chama atenção porque uma superfície de rocha derretida, por si só, não costuma refletir tanta luz.

Os modelos sugerem que nuvens de silicato, feitas de dióxido de silício e silicato de magnésio, podem se formar no lado diurno e proteger a superfície, uma espécie de "protetor solar gigante", nas palavras do título do comunicado. Outro dado: o lado noturno não é quente o bastante para explicar sozinho o lado diurno relativamente frio, o que indica que a atmosfera transporta calor de um lado para o outro. "Nossa descoberta desafia as teorias atuais", disse Anjali Piette, astrofísica da Universidade de Birmingham.

Como uma atmosfera sobrevive ali

Uma atmosfera num planeta tão quente tende a ser arrancada pela radiação da estrela. Uma possibilidade levantada é que o planeta seja reabastecido por gases liberados do seu oceano global de magma, como se fosse um vulcão do tamanho do planeta. A atmosfera poderia ser dominada por dióxido de carbono, como a de Vênus, mas muito mais quente, ou por dióxido de enxofre, como a de Io, lua de Júpiter.

Para entender o contexto

Planetas de lava são mundos rochosos tão próximos da estrela que o lado voltado para ela fica quente o suficiente para derreter a rocha. Eles dão aos astrônomos um laboratório extremo para testar como atmosferas se formam, resistem ou desaparecem.

Medir o quanto um planeta reflete a luz da estrela, o seu albedo, ajuda a distinguir uma superfície escura de rocha nua de um mundo coberto por nuvens ou por uma atmosfera espessa. É por isso que um índice próximo ao de Vênus, planeta coberto de nuvens, chamou atenção aqui.

Termos úteis

  • Curva de fase: medição de como o brilho de um planeta muda ao longo da órbita, conforme vemos mais o lado diurno ou o noturno.
  • Albedo: fração da luz recebida que um corpo reflete; 75% é um valor alto.
  • Silicato: composto de silício e oxigênio, base da maioria das rochas, que a temperaturas extremas pode formar nuvens.
  • Oceano de magma: camada global de rocha derretida na superfície de um planeta muito quente.

As ressalvas

A composição da atmosfera ainda é desconhecida. A explicação das nuvens de silicato vem de modelos de computador e é uma possibilidade, não uma detecção direta, e a reposição de gases por atividade vulcânica também é uma hipótese em aberto. A equipe planeja novas observações do Webb em comprimentos de onda maiores para tentar esclarecer a composição e a sobrevivência da atmosfera ao longo do tempo. O comunicado é um resumo do artigo, e o texto original pode ter sido editado quanto a estilo e extensão.

Fonte: com base em comunicado da Universidade de Birmingham divulgado pelo ScienceDaily sobre o artigo "A Highly Reflective Atmosphere on the Lava World TOI-561b Revealed by JWST/NIRSpec Phase Curves", publicado no The Astronomical Journal (2026, volume 172, nº 4, p. 239), DOI 10.3847/1538-3881/ae9763. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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