Webb mede que o planeta de lava TOI-561 b reflete cerca de 75% da luz da estrela, índice comparável ao de Vênus
Durante 37 horas, o telescópio espacial James Webb acompanhou um mundo rochoso de superfície derretida a 280 anos-luz daqui. O brilho alto sugere nuvens de silicato e uma atmosfera que ainda sobrevive, mas a composição segue desconhecida.
Um planeta rochoso a cerca de 280 anos-luz da Terra, com superfície derretida pelo calor da própria estrela, brilha mais do que se esperava. Observações do telescópio espacial James Webb indicam que o TOI-561 b reflete cerca de 75% da luz que recebe, um valor que os autores comparam ao de Vênus. O estudo foi publicado no The Astronomical Journal, com liderança da professora Lisa Dang, da Universidade de Waterloo, no Canadá. Se quiser entender como o Webb enxerga esses mundos, temos um guia sobre Webb, Hubble e o infravermelho.
O que foi observado
O Webb monitorou o planeta por 37 horas, o que cobriu quase quatro órbitas completas ao redor da estrela. Com isso, a equipe mediu como o brilho e o calor do planeta mudavam ao longo da órbita, a chamada curva de fase. A reflexividade alta chama atenção porque uma superfície de rocha derretida, por si só, não costuma refletir tanta luz.
Os modelos sugerem que nuvens de silicato, feitas de dióxido de silício e silicato de magnésio, podem se formar no lado diurno e proteger a superfície, uma espécie de "protetor solar gigante", nas palavras do título do comunicado. Outro dado: o lado noturno não é quente o bastante para explicar sozinho o lado diurno relativamente frio, o que indica que a atmosfera transporta calor de um lado para o outro. "Nossa descoberta desafia as teorias atuais", disse Anjali Piette, astrofísica da Universidade de Birmingham.
Como uma atmosfera sobrevive ali
Uma atmosfera num planeta tão quente tende a ser arrancada pela radiação da estrela. Uma possibilidade levantada é que o planeta seja reabastecido por gases liberados do seu oceano global de magma, como se fosse um vulcão do tamanho do planeta. A atmosfera poderia ser dominada por dióxido de carbono, como a de Vênus, mas muito mais quente, ou por dióxido de enxofre, como a de Io, lua de Júpiter.
Para entender o contexto
Planetas de lava são mundos rochosos tão próximos da estrela que o lado voltado para ela fica quente o suficiente para derreter a rocha. Eles dão aos astrônomos um laboratório extremo para testar como atmosferas se formam, resistem ou desaparecem.Medir o quanto um planeta reflete a luz da estrela, o seu albedo, ajuda a distinguir uma superfície escura de rocha nua de um mundo coberto por nuvens ou por uma atmosfera espessa. É por isso que um índice próximo ao de Vênus, planeta coberto de nuvens, chamou atenção aqui.
Termos úteis
- Curva de fase: medição de como o brilho de um planeta muda ao longo da órbita, conforme vemos mais o lado diurno ou o noturno.
- Albedo: fração da luz recebida que um corpo reflete; 75% é um valor alto.
- Silicato: composto de silício e oxigênio, base da maioria das rochas, que a temperaturas extremas pode formar nuvens.
- Oceano de magma: camada global de rocha derretida na superfície de um planeta muito quente.
As ressalvas
A composição da atmosfera ainda é desconhecida. A explicação das nuvens de silicato vem de modelos de computador e é uma possibilidade, não uma detecção direta, e a reposição de gases por atividade vulcânica também é uma hipótese em aberto. A equipe planeja novas observações do Webb em comprimentos de onda maiores para tentar esclarecer a composição e a sobrevivência da atmosfera ao longo do tempo. O comunicado é um resumo do artigo, e o texto original pode ter sido editado quanto a estilo e extensão.
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