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Ciência

Telescópio em balão flagra uma teia de fios magnéticos finos acima de uma região calma do Sol

O Sunrise III, levado por balão a cerca de 35 km de altitude, mediu campos magnéticos na cromosfera. A ideia de que movimentos da superfície torcem esses campos é uma sugestão apoiada em simulações.

Por Redação Watermouse Media4 de novembro de 20264 min de leitura
Imagem do satélite Hinode da borda do Sol em tons de rosa e roxo, com jatos finos de material chamados espículas
Espículas, jatos finos de material na borda do Sol, em imagem do satélite Hinode (NASA/JAXA). Imagem ilustrativa, não é do estudo. Crédito: NASA Goddard (domínio público).

Astrônomos mediram uma "teia" de estruturas magnéticas finas, em forma de fio, na cromosfera, a camada logo acima da superfície visível do Sol, sobre uma região calma. A pesquisa foi liderada pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ) e saiu na revista The Astrophysical Journal Letters (2026, vol. 1008, nº 1, L9, DOI 10.3847/2041-8213/ae909b), com o título, em tradução livre, "Estrutura tridimensional do campo magnético de uma região de Sol calmo revelada pelo SUNRISE III/SCIP". Masahito Kubo assina como primeira autoria, e a equipe internacional inclui, entre outros, Yukio Katsukawa, Yusuke Kawabata e Sami K. Solanki.

Um telescópio num balão

O Sunrise III é um observatório solar com telescópio de 1 metro levado por balão de alta altitude. Na missão de 2024, o balão flutuou a cerca de 35 km, na estratosfera, acima da maior parte da turbulência da atmosfera que atrapalha telescópios no solo. A gôndola levava três instrumentos científicos, feitos com contribuições de diferentes países. Um deles, o SCIP (um espectropolarímetro de infravermelho próximo, desenvolvido sob liderança do NAOJ), mede campos magnéticos da fotosfera até a cromosfera.

O que é a "teia"

Os pesquisadores falam em "dossel magnético": uma estrutura que se estende pela cromosfera e se forma quando campos magnéticos concentrados na fotosfera se espalham e se curvam para cima. Em vez de lisa e uniforme, ela contém muitas estruturas finas, em forma de fio, difíceis de observar antes. As regiões calmas cobrem a maior parte do Sol, não têm manchas solares proeminentes e costumam ter campos mais fracos que as áreas ativas.

O que foi achado

A equipe detectou muitas estruturas magnéticas finas e alongadas em uma região calma. Simulações numéricas reproduziram os padrões observados, e os resultados sugerem que movimentos na superfície do Sol torcem as linhas do campo magnético. Em outra região calma, perto da borda visível do Sol, foram medidos campos dentro de espículas, jatos finos de material solar que sobem, e as medições mostram como a distribuição dos campos muda com a altura.

Por que importa, e as ressalvas

Os achados podem ajudar a entender como a energia gerada por movimentos perto da superfície é levada às camadas superiores da atmosfera solar, um passo para explicar como a atividade magnética ajuda a aquecer essa atmosfera, mesmo em regiões que parecem calmas. Mas a torção dos campos é uma sugestão baseada em simulações, a origem das estruturas é apresentada como provável, e os resultados se referem a regiões específicas do Sol, sem generalização.

Para entender o contexto

A atmosfera do Sol tem camadas: a fotosfera, a superfície que vemos; acima dela a cromosfera; e depois a coroa, muito mais quente. Como a coroa chega a milhões de graus e a superfície a cerca de 5.500 graus, um dos grandes enigmas da física solar é como a energia chega do interior até as camadas de cima. Os campos magnéticos são a principal pista.

Observatórios em balões estratosféricos, como o Sunrise, flutuam acima da maior parte da atmosfera terrestre e obtêm imagens mais nítidas que as de telescópios em solo, sem o custo de um satélite. Medir o campo magnético na cromosfera é difícil, e os resultados são combinados com simulações de computador para interpretar o que se vê.

Termos úteis

  • Cromosfera: Camada da atmosfera do Sol logo acima da superfície visível.
  • Fotosfera: Superfície visível do Sol, de onde vem a maior parte da luz que recebemos.
  • Campo magnético solar: Campo gerado pelo movimento do plasma do Sol, responsável por manchas, explosões e a atividade da coroa.
Fonte: com base em comunicado do NAOJ divulgado pelo ScienceDaily sobre estudo publicado na The Astrophysical Journal Letters (2026, DOI 10.3847/2041-8213/ae909b). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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