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Ciência

Salamandras-de-fogo brilham em verde e ciano sob luz ultravioleta, e a secreção tóxica da pele também fluoresce

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Ecologia Química e de museus e institutos da Catalunha descrevem a fluorescência da Salamandra salamandra. O brilho dura mais de 24 horas nas secreções, mas ninguém sabe ainda para que ele serve.

Por Redação Watermouse Media2 de novembro de 20265 min de leitura
Salamandra preta com manchas amarelas caminhando sobre uma superfície de pedra clara
Salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra) sob luz comum, imagem ilustrativa, não mostra a fluorescência. Foto: Vasyl Krasnoshtan (CC BY 4.0), via Wikimedia Commons.

A salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra), de pele preta com manchas amarelas, é um dos anfíbios mais estudados da Europa. Ainda assim, uma equipe liderada pelo Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, encontrou nela algo que ninguém tinha descrito: sob luz ultravioleta, ela brilha em verde e ciano.

O trabalho saiu na Royal Society Open Science e envolve também o Museu de Ciências Naturais de Barcelona, o IBE (CSIC-UPF), o Instituto de Biologia Subtropical e a Sociedade Catalã de Herpetologia.

O que foi observado

A fluorescência é mais intensa na parte inferior amarela e nas laterais do corpo e vem principalmente das glândulas da pele e das suas secreções, inclusive as tóxicas. As secreções continuam fluorescentes por mais de 24 horas depois de liberadas. "É fascinante que uma espécie tão bem estudada ainda guarde fenômenos desconhecidos como este", disse Bernat Burriel, do museu de Barcelona. Andrés Brunetti, do Max Planck, contou que a equipe se surpreendeu, já que não conhecia relatos publicados de fluorescência em secreções de pele de salamandras.

É um caso de biofluorescência, que exige luz externa para aparecer, e não de bioluminescência, em que o animal produz a própria luz. Para ver o brilho, nós precisamos de uma lâmpada UV; animais com visão sensível poderiam percebê-lo mesmo fraco.

Para que serve?

Martin Kaltenpoth, do Max Planck, diz que a fluorescência "atende a vários critérios que sugerem uma função comunicativa". Entre as ideias estão o reconhecimento entre indivíduos, a avaliação de parceiros e o reforço da coloração de aviso, que alerta predadores sobre o veneno. A espécie é classificada como "vulnerável" na Lista Vermelha da IUCN.

Para entender o contexto

Muitos animais têm substâncias que absorvem luz de um comprimento de onda e a devolvem em outro, o que cria um brilho colorido quando iluminados com luz ultravioleta. Já foi descrito em corais, peixes, anfíbios e aves. Em cada caso, a pergunta é a mesma: é um subproduto da química do corpo ou uma ferramenta de comunicação?

A pele das salamandras guarda toxinas em glândulas, e o amarelo-e-preto serve de aviso visual. Descobrir que as secreções também fluorescem abre uma linha de pesquisa sobre como esses sinais são percebidos.

Termos úteis

  • Biofluorescência: emissão de luz por um organismo que absorveu luz de outra cor, como a ultravioleta; precisa de luz externa.
  • Bioluminescência: produção de luz pelo próprio organismo, por reação química, como nos vaga-lumes.
  • Coloração aposemática: cores vivas que avisam predadores de que o animal é tóxico ou impalatável.
  • Lista Vermelha da IUCN: classificação internacional do risco de extinção das espécies; "vulnerável" é uma de suas categorias de ameaça.

As ressalvas

A função biológica não está confirmada: comunicação e defesa são hipóteses. O composto responsável ainda não foi identificado, e Salvador Carranza, do IBE, diz que ele provavelmente é uma molécula antes desconhecida na espécie; a equipe trabalha para identificá-lo. A explicação de que a luz da lua poderia tornar o brilho visível na natureza também é especulativa.

Fonte: com base em comunicado do Instituto Max Planck de Ecologia Química divulgado pelo ScienceDaily sobre o artigo de Bernat Burriel-Carranza, Andrés E. Brunetti, Martin Kaltenpoth, Salvador Carranza e colegas, publicado na Royal Society Open Science (2026, volume 13, nº 5), DOI 10.1098/rsos.251991. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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