Todas as notícias
Tecnologia

Novo processo transforma sacola plástica em gasolina e diesel a baixa temperatura

Um laboratório americano usou sais de alumínio derretidos para quebrar o plástico de sacolas em combustíveis líquidos, trabalhando a menos de 200°C e com cerca de 60% de rendimento.

Por Redação Watermouse Media28 de setembro de 20264 min de leitura

A sacola de supermercado é um símbolo do problema do plástico: barata, descartada em minutos e quase eterna no ambiente. Pesquisadores do Oak Ridge National Laboratory (ORNL), nos Estados Unidos, mostraram um jeito de dar outro destino a ela, transformando o polietileno (o plástico de sacolas e tábuas de corte) em combustíveis líquidos parecidos com gasolina e diesel.

O truque está num banho de sais de cloreto de alumínio derretidos, que funcionam ao mesmo tempo como solvente e como catalisador, quebrando as longas cadeias do plástico em moléculas menores e aproveitáveis. O detalhe que chama atenção é a temperatura: o processo roda a menos de 200°C, bem abaixo dos métodos tradicionais de "cozinhar" plástico (a pirólise), o que reduz muito o gasto de energia. O rendimento fica em torno de 60%, e a própria estrutura do plástico ajuda a decidir o produto: cadeias mais simples puxam para a faixa da gasolina, mais complexas para a do diesel.

Segundo o estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society, o método dispensa catalisadores de metais nobres (caros), solventes orgânicos e hidrogênio externo, o que barateia a conta. Vale o pé no chão: é um resultado de laboratório, ainda longe de uma planta industrial, e transformar plástico em combustível não elimina as emissões de quem depois queima esse combustível. O ganho está em desviar plástico do lixo e do meio ambiente, e em fazer isso gastando menos energia.

Por que isso importa no Brasil

O Brasil produz montanhas de plástico e recicla uma fração pequena dele: boa parte das sacolas e embalagens vira lixo, entope bueiros e chega a rios e ao mar. Uma rota mais barata e de baixa temperatura para converter polietileno, o plástico mais comum, em algo de valor pode, no futuro, mudar a economia da reciclagem por aqui, onde o custo é sempre o gargalo. Não é uma solução mágica para a crise climática, mas é o tipo de tecnologia que ataca de frente o lixo plástico, um problema bem concreto das cidades brasileiras.

Fonte: com base em comunicado divulgado pelo ScienceDaily sobre estudo do Oak Ridge National Laboratory publicado no Journal of the American Chemical Society (2026). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

Gostou? Receba as próximas.

As notícias internacionais que importam, em português, uma vez por semana.

Assinar a newsletter