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Ciência

Análise de múmias incas identifica as substâncias usadas na capacocha, o principal ritual de sacrifício

Testes toxicológicos em cabelo e unhas de oito múmias de montanhas do Peru e da Argentina acharam cocaína em todas, álcool em quatro e harmina em uma. Segundo a autora, o ritual não era padronizado. A amostra é pequena, e várias leituras são interpretativas.

Por Redação Watermouse Media5 de novembro de 20265 min de leitura
Vulcão Ampato com o cume coberto de neve, sobre uma planície de vegetação rasteira seca
O vulcão Ampato, no Peru, onde foi achada a múmia conhecida como Juanita, imagem ilustrativa. Foto: Frank R 1981 (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons.

A capacocha foi um dos principais rituais do Império Inca: crianças e jovens eram sacrificados em honra a divindades importantes, e eram vistos como intermediários entre os vivos e o sagrado. Textos históricos citam o uso de plantas psicoativas, mas pouco se sabia sobre as substâncias. Um estudo na Antiquity, liderado por Dagmara Socha, da Universidade de Varsóvia, analisou múmias para tentar responder.

O que a equipe fez

Foram oito múmias de várias montanhas do Peru e da Argentina, escolhidas para cobrir diferentes práticas do ritual. Os pesquisadores fizeram testes toxicológicos em amostras de cabelo e unhas, onde substâncias ficam retidas na queratina. Avanços recentes permitem identificar concentrações bem baixas, e análises anteriores tinham dado resultados negativos ou se concentrado nas folhas de coca.

O que foi encontrado

Cocaína apareceu em todas as oito, o que combina com o hábito de mascar folhas de coca, que tinham papel religioso e podem ter ajudado contra o mal da altitude e o cansaço na subida. Álcool foi achado em quatro, possivelmente da chicha, a cerveja de milho. Registros históricos descrevem a chicha sendo dada para acalmar as crianças na etapa final do ritual. Harmina, um alcaloide ligado a plantas do gênero Banisteriopsis, uma das principais plantas da ayahuasca, foi encontrada em uma múmia, a Dama do Ampato, também chamada de Juanita. Para os autores, uma bebida com harmina pode ter tido um papel específico naquela montanha sagrada.

O que isso sugere

As substâncias variaram entre os indivíduos, o que sugere que a capacocha mudava conforme o lugar, adaptada a tradições, divindades e locais sagrados. Para Socha, o ritual "não era uma cerimônia única e padronizada".

Para entender o contexto

Substâncias consumidas ficam incorporadas à queratina do cabelo e das unhas, o que torna possível detectá-las mesmo em corpos antigos. A autora diz que o ritual "não era uma cerimônia única e padronizada", e que as práticas variavam de uma montanha para outra.

Termos úteis

  • Capacocha: ritual inca em que pessoas eram sacrificadas em montanhas sagradas
  • Queratina: proteína de cabelo e unhas, que retém substâncias consumidas
  • Chicha: bebida fermentada, geralmente de milho, tradicional nos Andes
  • Harmina: alcaloide encontrado em plantas usadas em preparos como a ayahuasca

As ressalvas

A amostra tem só oito indivíduos. A ligação da harmina a uma cerimônia específica aparece como possibilidade, e a origem do álcool na chicha é descrita como provável, não certa. O comunicado não traz concentrações, limites de detecção nem análise estatística, e não explica como as substâncias foram administradas nem como se relacionam ao momento da morte. É um resumo de comunicado de imprensa.

Fonte: com base em comunicado da Universidade de Cambridge divulgado pelo Phys.org sobre o artigo "Toxicological studies on the Inca frozen mummies from volcanoes in Peru and Argentina" (Dagmara Socha e colegas, da Universidade de Varsóvia), publicado na Antiquity em 2026, DOI 10.15184/aqy.2026.10439. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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