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Ciência

Cabeça mumificada de 2.700 anos traz a primeira evidência molecular de aloe no embalsamamento egípcio

Uma equipe da Universidade de Marburg analisou 24 objetos de coleções e achou compostos associados ao aloe em apenas dois, um deles um crânio mumificado do século 8 a.C. O estudo não mostra que o aloe era usado de forma geral na mumificação.

Por Redação Watermouse Media5 de novembro de 20264 min de leitura
Pequena planta de aloe vera em um vaso, ao lado de uma janela
Planta de aloe vera, imagem ilustrativa, não é o material do estudo. Foto: Brainmachine (CC0), via Wikimedia Commons.

Os textos antigos e os autores medievais falavam de uma substância chamada "aloe" no embalsamamento egípcio, mas faltava prova química. Uma equipe da Universidade de Marburg, na Alemanha, relata ter encontrado compostos associados à planta em um crânio mumificado de cerca de 2.700 anos, com datação por radiocarbono no século 8 a.C.

O que a equipe fez

Os pesquisadores analisaram 24 objetos de coleções universitárias e de museus. Combinaram a análise molecular de produtos naturais, com métodos de metabolômica apoiados por aprendizado de máquina, com egiptologia e história da farmácia, incluindo a releitura de textos antigos, em especial o termo egípcio ꜥnḫ-jm.j.

O que apareceu

Compostos associados ao aloe surgiram em dois objetos: o crânio mumificado, que pertence à coleção zoológica da universidade, e uma preparação do século 18 de "mumia vera aegyptiaca", um remédio feito de múmias que foi usado na Europa no fim da Idade Média e no início da Era Moderna. Essa preparação veio da Farmácia Löwen, em Offenbach am Main, e hoje está no Museu de Farmácia de Heidelberg. Os compostos apontavam para o gênero Aloe, e não para o agarwood, outra madeira que historicamente também foi chamada de "aloe". A comparação molecular mostrou grande semelhança entre o crânio e um pó catalogado separadamente, mas os registros das coleções não documentam ligação entre eles.

Para entender o contexto

Os ingredientes de embalsamamento já identificados incluem resinas de coníferas, alcatrões, resina de pistache, óleos vegetais, gorduras animais, cera de abelha, betume e resinas exóticas como elemi e dammar. O conhecimento sobre o processo se perdeu com o tempo, e autores medievais eram vistos como especulando a partir de passagens bíblicas, como em João 19:39. Para o historiador da farmácia Pommerening, a descoberta importa por isso.

O comunicado também relata um teste preliminar: um extrato de uma preparação de "mumia vera aegyptiaca" da coleção Wigand, em Marburg, mostrou efeito protetor moderado contra danos causados pelo vírus da gripe em células cultivadas. O composto principal isolado não reproduziu o efeito, e os ingredientes ativos seguem desconhecidos.

Termos úteis

  • Metabolômica: análise em larga escala das pequenas moléculas presentes em uma amostra
  • Mumia vera aegyptiaca: remédio europeu feito de múmias moídas, comum entre a Idade Média e o início da Era Moderna
  • Radiocarbono: método de datação que mede o carbono-14 em materiais orgânicos
  • Embalsamamento: conjunto de técnicas usadas para preservar o corpo depois da morte

As ressalvas

Os compostos de aloe apareceram em só 2 dos 24 objetos, então o estudo não mostra que a planta era usada em geral na mumificação, e ela pode ter sido empregada apenas em práticas específicas, conforme a época ou a disponibilidade de matéria-prima. O termo egípcio ꜥnḫ-jm.j pode se referir ao aloe ou a uma exsudação dele, mas isso não foi confirmado. Os resultados sobre gripe vêm de cultura de células e não mostram efeito em pessoas. É um resumo de comunicado de imprensa.

Fonte: com base em comunicado da Universidade de Marburg divulgado pelo Phys.org sobre o artigo "New molecular and historical evidence on ancient Egyptian embalming" (Tim Berger e colegas), publicado no PNAS em 2026, DOI 10.1073/pnas.2624362123. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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