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Morcegos podem ter surgido na Europa há 60 a 65 milhões de anos, indica análise de 103 genomas e 44 fósseis

Um consórcio com 137 pesquisadores de 64 países sequenciou genomas de morcegos de todas as 21 famílias vivas. O resultado sugere uma origem europeia e voo e ecolocalização cedo na história do grupo. Os autores descrevem a origem europeia como a mais provável, não como certa.

Por Redação Watermouse Media7 de novembro de 20264 min de leitura
Fóssil de um morcego de asas abertas e cabeça para baixo, em uma laje de rocha clara
Fóssil de Palaeochiropteryx, morcego de cerca de 47 milhões de anos achado na Alemanha, imagem ilustrativa, não é um animal do estudo. Foto: Vassil (CC0), via Wikimedia Commons.

Os morcegos são cerca de um quinto de todos os mamíferos vivos, e a origem deles é um quebra-cabeça. Um consórcio chamado Bat1K, que sequencia os genomas de todas as espécies vivas, reuniu 137 pesquisadores de 64 países para tentar resolvê-lo. O trabalho, publicado na Nature, cruza genomas e fósseis e sugere que o grupo surgiu na Europa.

O que a equipe fez

Foram 103 genomas de morcegos, entre eles 42 montagens em nível de cromossomo inéditas, cobrindo todas as 21 famílias vivas, mais evidências de 44 morcegos fósseis. Um modelo analisou fósseis e espécies atuais juntos. Parte do cromossomo X guardou um registro claro das relações entre os grupos, o que ajudou a resolver disputas de décadas sobre a árvore genealógica da família. Também foi reconstruído, no computador, o genoma do ancestral comum de todos os morcegos vivos.

O que o estudo sugere

Os morcegos provavelmente surgiram na Europa, no fim do Paleoceno, entre cerca de 65 e 60 milhões de anos atrás. Os descendentes se espalharam primeiro pela África, e depois grupos separados chegaram às Américas, à Ásia e à Austrália. Um fóssil chamado Vielasia, no ramo mais antigo da árvore, sugere que a ecolocalização, o "sonar" dos morcegos, já existia perto do início do grupo. Para os autores, o voo motorizado e a ecolocalização apareceram antes da diversificação dos grupos modernos, e a Europa é o lugar mais provável para o surgimento do voo motorizado em mamíferos.

Para que serve o banco de genomas

Os dados podem ser usados para estudar mudanças genéticas ligadas ao voo, à ecolocalização, à longevidade e à resistência a doenças. O comunicado diz que o recurso poderia, no futuro, contribuir para pesquisas humanas sobre envelhecimento e imunidade, mas apresenta isso como possibilidade, não como resultado.

Para entender o contexto

Os morcegos são os únicos mamíferos capazes de voo motorizado, isto é, de bater as asas para se sustentar no ar. O registro fóssil deles é raro, porque seus ossos são finos e frágeis, e por isso a árvore genealógica do grupo foi motivo de disputa por muito tempo.

Os genomas completos permitem comparar os grupos pelo DNA, e a combinação com os fósseis ajuda a datar quando cada ramo se separou. O Paleoceno é a época que vai de cerca de 66 a 56 milhões de anos atrás.

Termos úteis

  • Ecolocalização: capacidade de emitir sons e usar os ecos para se orientar e caçar.
  • Genoma: conjunto completo do DNA de uma espécie.
  • Filogenia: árvore genealógica que mostra o parentesco entre grupos de seres vivos.
  • Paleoceno: época geológica de cerca de 66 a 56 milhões de anos atrás.

As ressalvas

A origem europeia é descrita como a mais provável, e não como certa. A inferência sobre a ecolocalização antiga depende de um único fóssil, o Vielasia, e o comunicado não detalha a idade dele. A troca de genes entre linhagens antigas gera sinais conflitantes em partes diferentes do genoma, o que dificultou a reconstrução da árvore. O texto também não informa quais genes específicos foram identificados. É um resumo de comunicado de imprensa.

Fonte: com base em comunicado da University College Dublin divulgado pelo ScienceDaily sobre o artigo "Reference genomes and fossils revise bat family phylogeny and biogeography" (Morales, Teeling, Dávalos, Hiller, Vernes, Ray e colegas, do consórcio Bat1K), publicado na Nature em 2026, DOI 10.1038/s41586-026-11007-3. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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