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Meteoros não apenas queimam: análise de 75 quedas descreve sete fases em que fusão e fragmentação mandam

Pesquisadores do SETI Institute e da NASA Ames estudaram vídeos e fotos de 75 quedas de meteoritos e concluíram que a rocha perde massa principalmente derretendo e se quebrando, e não só evaporando. A fusão sozinha pode tirar até 40% da massa.

Por Redação Watermouse Media1 de novembro de 20265 min de leitura
Três riscos de meteoros cruzando um céu estrelado sobre um lago, com pedras em primeiro plano
Meteoros das Perseidas sobre um lago em Ohio (EUA), em 2023, imagem ilustrativa, não faz parte do estudo. Foto: Jim Vajda (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons.

A imagem popular é a de uma pedra que entra na atmosfera e "queima" até virar pó. Um estudo liderado por Peter Jenniskens, do SETI Institute e do Centro de Pesquisa Ames da NASA, mostra um quadro mais violento e mais organizado: a rocha primeiro derrete e depois se fragmenta, e é isso que controla quanta massa ela perde e onde os pedaços caem.

A equipe analisou gravações em vídeo e fotografias de 75 quedas de meteoritos, ou seja, casos em que fragmentos foram recuperados no chão, e identificou sete estágios da entrada na atmosfera.

O que acontece em cada etapa

Segundo o comunicado, a fusão domina a fase 3, quando se formam as bolas de fogo. Por volta de 60 km de altitude, na fase 4, o derretimento sozinho pode remover até 40% da massa original da rocha. A fragmentação pode começar quando a pressão do ar na superfície da frente chega a cerca de um quinto da resistência medida em meteoritos recuperados, e os autores sugerem que o aquecimento e rachaduras antigas, vindas de colisões no espaço, enfraquecem a pedra.

A fragmentação rápida leva a uma desaceleração rápida: quanto mais a rocha se quebra, mais depressa ela perde velocidade. Se a parte de trás do corpo principal permanece inteira, ela cria uma região de baixa pressão que arrasta fragmentos menores. "Esses pequenos meteoritos caem numa faixa estreita no chão", explicou Darrel Robertson, da NASA Ames. Na fase 6, a quebra final produz um clarão brilhante, muitas vezes vermelho.

Por que isso importa

Jenniskens afirma que o asteroide de cerca de 20 metros que explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, passou pelas mesmas fases, o que ajudaria a entender explosões de asteroides na atmosfera. Os autores também registraram que alguns meteoros giram rápido: as rotações mais velozes observadas levaram de 0,5 a 5 segundos.

Para entender o contexto

Todos os dias, toneladas de poeira e pequenas rochas entram na atmosfera da Terra. A maioria some como um risco de luz, mas uma fração rara sobrevive e chega ao solo como meteorito. Esses fragmentos recuperados são valiosos porque deixam comparar o que a câmera registrou no céu com o material que de fato chegou ao chão.

Entender como a rocha perde massa também tem uso prático: ajuda a estimar a energia de explosões no ar, como a de Chelyabinsk, e a prever onde os pedaços devem cair.

Termos úteis

  • Bólido: meteoro muito brilhante, uma bola de fogo, que pode chegar a produzir meteoritos.
  • Fragmentação: quebra da rocha em pedaços durante a entrada na atmosfera.
  • Curva de luz: gráfico de como o brilho do meteoro muda ao longo da trajetória.
  • Esteira de baixa pressão: região atrás do corpo, onde o ar é rarefeito, que pode arrastar fragmentos menores.

As ressalvas

Os resultados vêm de 75 quedas documentadas, e o modelo de sete fases e a comparação com Chelyabinsk são interpretações dos pesquisadores, sem validação independente apresentada no comunicado. Eric Stern, coautor, observa que experimentos de laboratório não conseguem reproduzir os níveis de radiação da entrada natural nessas velocidades, o que limita testes diretos. O comunicado é um resumo e pode ter sido editado quanto a estilo e extensão.

Fonte: com base em comunicado do SETI Institute divulgado pelo ScienceDaily sobre o artigo "Bolide light curve systematics from 75 recovered meteorites" (Jenniskens, Pilorz, Robertson e Stern), publicado em Meteoritics & Planetary Science (2026, volume 61, nº 9, p. 2351), DOI 10.1111/maps.70203. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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