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Ciência

Osso guardado há mais de 100 anos revela o primeiro megaraptor da Europa

A espécie Invictibellatrix amberina foi identificada a partir de uma caixa craniana da Ilha de Wight, na Inglaterra, que ficou décadas nas coleções do Museu de História Natural de Londres. Tinha cerca de 5 metros.

Por Redação Watermouse Media3 de novembro de 20264 min de leitura
Falésias de barro em erosão junto a uma praia em Sudmoor Point, na Ilha de Wight, Inglaterra
As falésias em erosão de Sudmoor Point, na Ilha de Wight, Inglaterra, perto de onde o fóssil foi achado numa praia. Imagem ilustrativa. Foto: Christopher Hilton, CC BY-SA 2.0, via Geograph e Wikimedia Commons.

Uma caixa craniana encontrada numa praia da Ilha de Wight, na Inglaterra, e guardada por mais de 100 anos no Museu de História Natural de Londres deu origem a uma nova espécie: Invictibellatrix amberina, o primeiro megaraptor conhecido da Europa. O nome significa, na tradução do texto, algo como "guerreira não conquistada do âmbar". Os megaraptores são um grupo de dinossauros carnívoros, do tipo terópode.

O fóssil, de cerca de 120 milhões de anos (Cretáceo Inferior), foi encontrado perto de Sudmoor Point, na Formação Wessex, e chegou ao museu em 1924. Paul Barrett, do museu (paleontologia), o redescobriu nas coleções em 2020, e Cassius Morrison, na época em doutorado, o estudou em detalhe. O estudo, também assinado por Charlie Scherer, saiu na Royal Society Open Science (2026), com o título, em tradução livre, "Um novo dinossauro megaraptor da Formação Wessex do Cretáceo Inferior, Reino Unido, e suas implicações para a evolução e a biogeografia dos terópodes" (DOI 10.1098/rsos.260937).

Um dinossauro pequeno, num lugar inesperado

Com cerca de 5 metros da cabeça à cauda e o peso de um tigre grande, é o menor megaraptor conhecido; alguns megaraptores maiores tinham garras de mais de 30 cm. O texto não dá a medida das garras desta espécie. Até agora, os megaraptores do Cretáceo Inferior só eram documentados na Tailândia e no Japão, então o achado leva a presença do grupo nesse período à Europa.

Como identificaram

A equipe comparou o crânio com os de outros carnívoros, fez tomografia computadorizada da caixa craniana para estudar o cérebro e usou um algoritmo para encaixar a espécie na árvore genealógica dos dinossauros.

O que isso sugere, e as dúvidas

Os autores sugerem que os megaraptores podem ter se espalhado da Ásia para os continentes do sul passando pela Europa e pela África, e que ainda podem existir megaraptores não descobertos na África e na Antártida. Como animais grandes não atravessariam oceanos, eles acreditam que o grupo tenha sido mais difundido do que os fósseis mostram.

Mas os cientistas ainda não sabem quando os megaraptores surgiram, a classificação se apoia em um único osso, e a dieta, o comportamento e as rotas de migração são descritos com linguagem hesitante, como "provavelmente" e "sugere".

Para entender o contexto

Os megaraptores eram dinossauros carnívoros, de dois pés, com garras grandes nas mãos, conhecidos sobretudo por fósseis do hemisfério sul, como os da Argentina e da Austrália. Achar um representante na Europa amplia a distribuição geográfica do grupo e ajuda a entender como esses animais se espalharam quando os continentes estavam mais próximos.

É comum que descobertas importantes saiam de coleções de museu: peças recolhidas há mais de um século ficam guardadas até que novas técnicas, como a tomografia, permitam examiná-las sem danificar. A Ilha de Wight, no sul da Inglaterra, é um dos locais mais ricos em dinossauros do Cretáceo inicial da Europa.

Termos úteis

  • Megaraptor: Grupo de dinossauros terópodes carnívoros com garras grandes, conhecido sobretudo do hemisfério sul.
  • Caixa craniana: Parte do crânio que envolve o cérebro.
  • Cretáceo: Último período da Era dos Dinossauros, de cerca de 145 a 66 milhões de anos atrás.
Fonte: com base em reportagem do Phys.org, publicada originalmente pelo The Conversation, sobre estudo na Royal Society Open Science (2026, DOI 10.1098/rsos.260937). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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