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Ciência

Fóssil de 165 milhões de anos revela um parente dos mamíferos que nadava e pesava cerca de 2 quilos

Megacauda sungei, achado na Mongólia Interior, na China, tinha um palato mole sofisticado e dentes voltados para trás, sinais de vida na água. Os autores ligam o palato à amamentação, mas a relação com o cérebro humano é uma interpretação de um dos pesquisadores.

Por Redação Watermouse Media6 de novembro de 20264 min de leitura
Fóssil achatado em uma laje de rocha clara, com o esqueleto de um pequeno animal de cauda longa e marcas de pelos
Fóssil de Castorocauda, outro docodonte aquático do Jurássico da China, imagem ilustrativa, não é o Megacauda. Foto: Jonathan Chen (CC BY 4.0), via Wikimedia Commons.

Junto com os dinossauros viveu um grupo de parentes próximos dos mamíferos, os mamaliaformes. Eles geralmente pesavam só alguns gramas. Um fóssil de cerca de 165 milhões de anos, do Jurássico, descrito na Nature, mostra uma exceção: o Megacauda sungei, que media uns 50 centímetros do focinho à cauda e pesava cerca de 2 quilos, o maior mamaliaforme jurássico conhecido, segundo o pesquisador Thomas Martin, da Universidade de Bonn.

O animal

O nome quer dizer "cauda grande" e homenageia Sun Ge, diretor honorário do Museu Paleontológico de Liaoning, em Shenyang, que adquiriu o fóssil como parte de uma coleção. Ele foi desenterrado em Xiayingzi, na Mongólia Interior, na China, e pertence aos docodontes, um grupo extinto. A equipe, com pesquisadores das universidades de Shandong, de Chicago e de Bonn, examinou o fóssil por tomografia computadorizada e montou reconstruções em 3D da anatomia.

Sinais de uma vida na água

Os dentes têm cúspides voltadas para trás, úteis para segurar presas escorregadias. Os pesquisadores estimam, a partir dos modelos em 3D, que ele nadava remando com as patas dianteiras, ondulando a cauda e usando as patas traseiras para mudar de direção. Segundo Martin, é a mais antiga evidência de vida aquática em mamíferos. Outros docodontes jurássicos eram escavadores ou viviam em árvores, o que mostra como o grupo explorava vários modos de vida.

O palato mole e o resto

O achado que mais chamou a atenção é um palato mole sofisticado, que separa a boca da faringe e permite engolir e respirar ao mesmo tempo. Para os autores, isso está ligado à capacidade de amamentar, porque evita que o leite entre pelo nariz do filhote. Martin afirma que a remodelação da boca e da faringe foi decisiva na evolução dos mamíferos, inclusive para o desenvolvimento cerebral que levou aos humanos. Os caninos têm três raízes, uma característica que surpreendeu a equipe.

Para entender o contexto

Os mamaliaformes incluem os mamíferos e seus parentes extintos mais próximos. Surgiram na era dos dinossauros e, por muito tempo, foram vistos como pequenos animais de hábitos noturnos escondidos à sombra dos gigantes.

Achados como esse mostram que o grupo era mais diverso do que se imaginava: havia espécies que cavavam, que subiam em árvores e, agora, uma que nadava. O Jurássico é o período entre cerca de 201 e 145 milhões de anos atrás.

Termos úteis

  • Mamaliaforme: grupo que inclui os mamíferos e seus parentes extintos mais próximos.
  • Docodonte: grupo extinto de mamaliaformes do Jurássico, com espécies aquáticas, escavadoras e arborícolas.
  • Palato mole: parte posterior do céu da boca, que separa a boca da faringe.
  • Tomografia computadorizada: técnica que usa raios X para criar imagens em fatias de um objeto, sem danificá-lo.

As ressalvas

A ligação com o cérebro humano é uma interpretação de Martin: o título do artigo científico fala em faringe, não em cérebro, e a frase "abriu caminho para o cérebro humano" é do título jornalístico. A amamentação é uma inferência sobre a função do palato, já que o fóssil não mostra o comportamento. Os movimentos de nado vêm de modelos 3D, e o texto não explica a função dos caninos de três raízes nem quais estruturas da tomografia indicam o palato mole. O comunicado é um resumo adaptado pelo ScienceDaily.

Fonte: com base em comunicado da Universidade de Bonn divulgado pelo ScienceDaily sobre o artigo "A Jurassic mammaliaform swimmer and transformation of the mammalian pharynx" (Y. Li, P. Li, Neander, Zhang, Zhou, Martin e Luo), publicado na Nature em 2026, DOI 10.1038/s41586-026-11107-0. Pesquisadores citados são das universidades de Bonn, de Shandong e de Chicago e do Museu Paleontológico de Liaoning. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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