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Ciência

Magma pode guardar bem mais oxigênio do que se pensava, sugere experimento sob alta pressão

Em laboratório, basalto fundido a até 7 gigapascais absorveu oxigênio em excesso, em alguns testes mais de 5% do peso da amostra. Os autores avisam que isso não prova que vulcões tenham fornecido o oxigênio da atmosfera.

Por Redação Watermouse Media30 de outubro de 20265 min de leitura
Amostra de lava basáltica escura, de forma arredondada, com manchas claras na superfície, sobre fundo branco
Amostra de lava basáltica da dorsal Juan de Fuca, imagem ilustrativa, não é do estudo. Crédito: Smithsonian Institution (CC0).

O magma pode absorver mais oxigênio do que a sua composição química normalmente exigiria. É o que indica um estudo publicado na National Science Review, feito por pesquisadores do Centro de Pesquisa Avançada em Ciência e Tecnologia de Alta Pressão (HPSTAR), com participação da Universidade Politécnica do Noroeste (China) e da Vrije Universiteit Amsterdam. Os autores chamam essa parcela extra de "oxigênio em excesso".

Para o grupo, o resultado sugere que o oxigênio deveria ser tratado como um componente independente dos silicatos fundidos, e que o magma poderia carregar oxigênio do manto para cima e liberá-lo conforme a pressão cai.

Como foi o experimento

Yanhao Lin e Ho-kwang Mao, do HPSTAR, lideraram os testes, e Haiyang Niu, da Universidade Politécnica do Noroeste, as simulações de computador. A equipe aqueceu basalto sintético, do tipo que forma o fundo dos oceanos, entre 1.200 e 1.800 °C e submeteu o material a pressões de até 7 gigapascais, cerca de 69 mil vezes a pressão atmosférica na superfície. Para criar um ambiente rico em oxigênio, foi adicionado óxido de platina.

Depois do teste, as amostras foram resfriadas rapidamente até virarem vidro e analisadas. À pressão atmosférica, o excesso de oxigênio foi praticamente nulo. A 7 gigapascais, com o óxido de platina, passou de 5% do peso da amostra; sem ele, em condições parecidas, ficou entre 0,2% e 0,5%. A espectroscopia Raman não detectou oxigênio gasoso, o que sugere que o oxigênio estava incorporado à estrutura do vidro, e não preso em bolhas.

A ligação com a atmosfera

O comunicado lembra que o oxigênio na atmosfera da Terra aumentou entre cerca de 2,5 e 2 bilhões de anos atrás, período que coincide com a formação de algumas grandes províncias ígneas. Um cálculo preliminar dos autores indica que, se o magma liberasse em erupções um excesso de oxigênio equivalente a 0,27% do seu peso, o total poderia, em teoria, igualar o oxigênio atmosférico atual.

Para entender o contexto

A atmosfera da Terra nem sempre teve oxigênio livre. Ele passou a se acumular entre cerca de 2,5 e 2 bilhões de anos atrás, em geral atribuído a organismos que fazem fotossíntese, mas a contribuição de processos geológicos continua em estudo.

O magma é rocha derretida do interior do planeta. Estudar o que ele pode dissolver sob pressões extremas é uma forma de testar hipóteses sobre a ligação entre o interior da Terra e a atmosfera, e também sobre planetas rochosos fora do Sistema Solar.

Termos úteis

  • Gigapascal: unidade de pressão; 1 gigapascal equivale a cerca de 10 mil vezes a pressão atmosférica ao nível do mar.
  • Basalto de dorsal meso-oceânica: rocha vulcânica que forma o fundo dos oceanos.
  • Província ígnea: região onde houve erupções gigantescas e prolongadas de magma.
  • Espectroscopia Raman: técnica que usa luz para identificar moléculas e estruturas em um material.

As ressalvas

Os próprios pesquisadores afirmam que isso "não estabelece que a atividade vulcânica realmente tenha fornecido tanto oxigênio atmosférico", e que o número de 0,27% é preliminar. Os testes usaram basalto sintético, não magma natural, e as simulações, feitas num sistema simplificado de magnésio, silício e oxigênio, deram concentrações menores que as dos experimentos. Parte do oxigênio pode ter escapado durante o resfriamento, de modo que os fundidos originais podem ter guardado mais do que o medido. Ainda é preciso descobrir quanto oxigênio os magmas naturais carregam e quanto disso chega à atmosfera.

Fonte: com base em comunicado da Science China Press divulgado pelo ScienceDaily sobre estudo publicado na National Science Review (2026, volume 13), "Magma as a carrier of non-stoichiometric oxygen linking Earth's interior and atmosphere", DOI 10.1093/nsr/nwag539. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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