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Ciência

Supervulcão japonês de Kikai está se reabastecendo de magma, mostra estudo

Imagens sísmicas sob o mar revelam um grande reservatório rico em magma bem embaixo da caldeira que protagonizou a maior erupção conhecida do Holoceno. Os autores são claros: isso não significa uma nova erupção iminente.

Por Redação Watermouse Media23 de outubro de 20264 min de leitura
O monte Iōdake, vulcão da ilha de Satsuma-Iōjima, na borda da caldeira de Kikai, no Japão
O monte Iōdake, na ilha de Satsuma-Iōjima, na borda da caldeira de Kikai, no Japão. Imagem ilustrativa do local, não faz parte do estudo. Foto: 名古屋太郎, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

A caldeira de Kikai, no Japão, é um supervulcão e fica quase toda debaixo d'água. Há cerca de 7.300 anos ela protagonizou a maior erupção vulcânica conhecida do Holoceno, a época geológica que começou há mais ou menos 11.700 anos. Para dar a dimensão: o magma liberado ali enterraria o Central Park, em Nova York, sob uma camada de cerca de 12 km. Um novo estudo agora mostra que o sistema que produziu essa erupção está se reabastecendo.

A pesquisa foi liderada pela Universidade de Kobe, em parceria com a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e Terrestre (JAMSTEC), e saiu na revista Communications Earth & Environment, com o título (em tradução livre) "Reinjeção de magma em um grande reservatório depois da erupção gigante do vulcão de caldeira de Kikai". Entre os autores está Nobukazu Seama (geofísica).

Como eles "enxergaram" sob o mar

Como a caldeira é submersa, a equipe fez uma campanha de sísmica marinha: canhões de ar geraram pulsos que atravessaram a crosta sob o fundo do mar, e sismômetros instalados no leito oceânico registraram como as ondas se propagavam. Ondas sísmicas se comportam de forma diferente em rocha sólida e em material fundido, o que permite inferir estruturas que não dá para ver diretamente. O fato de o vulcão estar debaixo d'água ajudou: permitiu levantamentos sistemáticos e em grande escala.

O que apareceu nas imagens

Bem embaixo do local da erupção de 7.300 anos atrás, há uma grande região com alta proporção de magma. A equipe estimou o tamanho e o formato aproximados desse corpo, e tudo indica que se trata do mesmo sistema de armazenamento de magma envolvido na erupção antiga. A divulgação do estudo não traz números de volume, profundidade ou taxa de recarga.

Por que o magma seria novo

Perto do centro da caldeira, um domo de lava vem se formando há cerca de 3.900 anos. Os pesquisadores compararam a química do material desse domo e de atividade mais recente com a do material da erupção gigante, e viram diferenças. A interpretação dos autores é que o magma atual é rocha fundida nova, injetada desde partes mais profundas da crosta ou do manto, e não sobra do que ficou depois da grande erupção.

O que isso significa, e o que não significa

O estudo diz com todas as letras que esse reabastecimento não significa que uma nova erupção catastrófica seja iminente. A ciência ainda entende de forma incompleta como se acumulam os volumes gigantescos de magma necessários para erupções desse porte, o que torna a previsão difícil. O tamanho e o formato do reservatório são aproximados, e a interpretação do magma novo se apoia em imagens sísmicas e em comparação química, com métodos que ainda precisam ser refinados.

O modelo de "reinjeção" pode ajudar a explicar por que outros supervulcões, como Yellowstone (Estados Unidos) e Toba (Indonésia), também têm grandes reservatórios de magma relativamente rasos. A equipe pretende aprimorar os métodos sísmicos para acompanhar em mais detalhe o movimento e o armazenamento do magma, com o objetivo de monitorar indicadores de futuras erupções gigantes. Em resumo: é um avanço para entender como supervulcões se recarregam ao longo de milhares de anos, não um alerta de perigo.

Para entender o contexto

A caldeira de Kikai fica no sul do Japão, ao largo da ilha de Kyushu, e guarda a marca de uma das maiores erupções dos últimos 10 mil anos, ocorrida há cerca de 7.300 anos. Essa erupção lançou uma enorme quantidade de cinzas sobre a região e é associada a impactos nas comunidades que viviam no sul do arquipélago naquela época.

"Supervulcão" é uma expressão popular, não um termo técnico rígido, usada para vulcões capazes de erupções gigantescas. Monitorar se o magma volta a se acumular sob uma caldeira não significa que uma erupção esteja próxima: processos assim podem levar milhares de anos, e o interesse da ciência é entender como o sistema funciona e quais sinais merecem vigilância.

Termos úteis

  • Caldeira: Grande depressão formada quando o teto de uma câmara de magma desaba depois de uma erupção volumosa.
  • Magma: Rocha derretida no interior da Terra. Ao chegar à superfície, passa a se chamar lava.
  • Índice de Explosividade Vulcânica (VEI): Escala de 0 a 8 que mede o tamanho de uma erupção, principalmente pelo volume de material expelido.
Fonte: com base em comunicado divulgado pelo ScienceDaily e no comunicado original da Universidade de Kobe sobre estudo publicado na revista Communications Earth & Environment (2026, DOI 10.1038/s43247-026-03347-9). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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