Dados da sonda Juno mostram que Júpiter freia o vento solar com ondas mais complexas que as da Terra
Medições feitas em dezembro de 2024 indicam que o choque de proa de Júpiter usa ondas de plasma com várias frequências e estruturas extras para desacelerar as partículas do Sol. O estudo sugere que isso pode ajudar a entender choques ainda mais fortes, como os de supernovas.
Quando o vento solar, o fluxo de partículas que sai do Sol, encontra um planeta com campo magnético, ele precisa ser freado. A região onde isso acontece é chamada de choque de proa. Um estudo com dados da sonda Juno, da NASA, indica que Júpiter faz esse trabalho de um jeito mais complexo que a Terra, usando ondas de plasma com várias frequências. O artigo saiu na Nature Communications.
A Juno orbita Júpiter desde julho de 2016 e foi lançada em 2011. Os dados do estudo foram coletados em dezembro de 2024 pelo instrumento Juno Waves, que mede atividade de ondas elétricas e magnéticas e foi projetado e construído por físicos da Universidade de Iowa.
O que a equipe encontrou
Segundo o comunicado, Júpiter usa ondas de plasma mais fortes e com muitos "harmônicos", isto é, várias frequências ao mesmo tempo, para desacelerar e aquecer as partículas do vento solar. No choque de proa da Terra, as ondas se concentram sobretudo em torno de uma única frequência. "Se você tem várias frequências, pode aquecer mais partículas do vento solar e freá-las", explicou Jayasri Joseph, da Universidade de Iowa e autoria correspondente.
Há ainda uma diferença de estrutura. Antes de chegar ao choque principal de Júpiter, o vento solar pode atravessar estruturas menores, chamadas "shocklets", que também ajudam a freá-lo. No caso da Terra, o choque principal costuma fazer esse trabalho sozinho. Bill Kurth, de Iowa, que está na missão Juno desde 2011, resumiu: "A Terra não precisa tomar esses passos extras para lidar com o vento solar, porque o impacto não é tão poderoso."
Por que isso interessa
Os autores sugerem que entender esses mecanismos pode ajudar a estudar choques bem mais intensos, como os que ocorrem em restos de supernovas. O estudo reúne pesquisadores de várias instituições, entre elas o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, o Southwest Research Institute e a Universidade Johns Hopkins (laboratório de física aplicada).
Para entender o contexto
O Sol emite sem parar um fluxo de partículas carregadas, o vento solar. Planetas com campo magnético, como a Terra e Júpiter, criam uma espécie de barreira: antes de chegar ao planeta, o vento é desacelerado em uma onda de choque, comparável à onda que se forma na frente de um barco.Júpiter é muito maior e tem um campo magnético muito mais intenso que o terrestre, e a missão Juno, em órbita desde 2016, permite observar esses processos de perto. O comparativo com a Terra mostra que o mesmo fenômeno físico pode ter versões bem diferentes conforme o planeta.
Termos úteis
- Vento solar: fluxo de partículas carregadas lançado continuamente pelo Sol.
- Choque de proa: região em que o vento solar é freado ao encontrar o ambiente magnético de um planeta.
- Plasma: gás ionizado, formado por partículas com carga elétrica.
- Shocklets: estruturas de choque menores que ajudam a desacelerar o vento antes do choque principal.
As ressalvas
O comunicado não traz medições numéricas, como amplitudes e frequências das ondas, número de shocklets ou distâncias, e não diz com que frequência essas estruturas aparecem. A ligação com supernovas é apresentada como uma aplicação possível ("poderia ajudar"), e os choques dessas explosões são muito mais fortes que os de Júpiter. O estudo descreve o choque de proa, a fronteira onde as partículas do Sol encontram o ambiente magnético do planeta.
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