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Ciência

Dinossauro do tamanho de um peru pode ter sido o primeiro a se especializar em comer frutas

Um oviraptorossauro emplumado e sem dentes, batizado de Infernogallus jamesi, tinha crânio e músculos da mandíbula adaptados a alimentos moles, segundo um estudo na Nature Communications. A dieta é inferida da anatomia, não de restos de frutas no fóssil.

Por Redação Watermouse Media4 de novembro de 20264 min de leitura
Fóssil de um oviraptorossauro em uma laje de rocha, com ossos do esqueleto e ovos em volta
Fóssil de Citipati, outro oviraptorossauro, no Museu Americano de História Natural, imagem ilustrativa, não é o animal do estudo. Foto: Jonathan Chen (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons.

Dinossauros carnívoros e herbívoros são os que mais aparecem nos livros. Um estudo novo sugere uma terceira possibilidade: um parente emplumado dos terópodes que teria se especializado em comer frutas. O animal se chama Infernogallus jamesi, o nome do gênero significa "galinha do inferno", e viveu na Formação Hell Creek, nos Estados Unidos, junto de T. rex e Triceratops.

O que a equipe descreveu

O fóssil, catalogado como ROMVP 65050 e exposto no Royal Ontario Museum, é um crânio quase completo e articulado, com parte do esqueleto. O animal era emplumado, sem dentes, do tamanho de um peru e pesava cerca de 12 quilos, um dos menores do grupo mesmo adulto. Ele pertence aos caenagnatídeos, um ramo dos oviraptorossauros, do Cretáceo Superior.

Como chegaram à dieta

Com tomografias, os pesquisadores reconstruíram o crânio e analisaram a mecânica da mastigação. Os ossos do céu da boca se curvavam para dentro, o que deixava alguns músculos da mandíbula orientados no sentido frente-trás, e não de cima para baixo. O bico podia deslizar para trás e para frente, em vez do corte vertical rígido visto em T. rex. Segundo a equipe, isso seria adequado para amassar frutas com caroço e separar a polpa da semente. A combinação é rara entre animais, e o artigo cita como comparação um papagaio especialista em frutas e mamíferos de mastigação complexa, como os humanos.

O que isso sugere

Os autores veem um paralelo entre a mastigação dos caenagnatídeos e o surgimento de frutos maiores e mais comuns no fim do Cretáceo, e levantam a possibilidade de que esses dinossauros tenham tido um papel ainda não reconhecido na dispersão de sementes. É uma possibilidade, não algo demonstrado.

Para entender o contexto

Os oviraptorossauros eram terópodes, grupo que inclui os carnívoros bípedes, mas muitos deles ganharam bicos sem dentes e dietas variadas. Para o pesquisador Gregory Funston, o inesperado foi descobrir que alguns se especializaram em frutas.

Fósseis completos de dinossauros pequenos são raros, o que limita o que se consegue inferir, como lembra o curador David Evans, do Royal Ontario Museum.

Termos úteis

  • Oviraptorossauro: grupo de dinossauros terópodes emplumados, muitos com bico sem dentes
  • Formação Hell Creek: conjunto de rochas do fim do Cretáceo no oeste dos Estados Unidos, famoso por fósseis de T. rex e Triceratops
  • Tomografia: exame de imagem que permite ver a estrutura interna de um fóssil sem quebrá-lo
  • Dispersão de sementes: transporte de sementes por animais, que ajuda plantas a se espalhar

As ressalvas

A afirmação de que seria o primeiro dinossauro a se especializar em frutas se baseia em inferência a partir do crânio e dos músculos. O artigo não menciona conteúdo estomacal nem restos de frutas junto ao fóssil. A ligação com a evolução das frutas é descrita como um paralelo, e o papel na dispersão de sementes aparece como uma possibilidade. É um resumo de comunicado de imprensa.

Fonte: com base em comunicado divulgado pelo Phys.org sobre o artigo "Fruit-eating adaptations in a Late Cretaceous oviraptorosaur (Theropoda)" (Gregory Funston e colegas, da Stony Brook University, do Royal Ontario Museum e do North Dakota Geological Survey), publicado na Nature Communications em 2026, DOI 10.1038/s41467-026-78343-w. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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