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Fóssil de Drimolen reforça que o Homo erectus já estava na África do Sul há cerca de 2 milhões de anos

Um crânio adulto de cerca de 2 milhões de anos, achado na pedreira de Drimolen, adiciona evidência de que a espécie existia lá cerca de 200 mil anos antes do que se supunha. O resultado se apoia em um único fóssil adulto.

Por Redação Watermouse Media3 de novembro de 20265 min de leitura
Escavação de Drimolen, na África do Sul, com paredões de rocha e uma placa de madeira com o nome do sítio
A pedreira principal de Drimolen, na África do Sul. Foto: Andy Herries, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Um fóssil adulto de Homo erectus com cerca de 2 milhões de anos, achado no sítio de Drimolen, na África do Sul, adiciona evidência de que a espécie já vivia na região cerca de 200 mil anos antes do que se acreditava. O estudo, de Jesse M. Martin, A. B. Leece, Stephanie Baker, Andy I. R. Herries e David S. Strait, descreve 18 fósseis de hominíneos do sítio e saiu na Annals of Human Biology (2026; 53(1); DOI 10.1080/03014460.2026.2725046). Participam instituições como a La Trobe University (Austrália), a Universidade de Joanesburgo, a Universidade de Witwatersrand e a Universidade Washington. O texto em que nos baseamos é um comunicado da La Trobe.

O que foi descrito

Drimolen fica no "Berço da Humanidade" sul-africano. O sítio foi descoberto em 1992 e escavado até 2019, e muitos fósseis recuperados nunca tinham sido descritos formalmente. Os 18 novos foram atribuídos ao Homo erectus e ao Paranthropus robustus. O novo espécime adulto de H. erectus (DNH 127) tem "cerca de 2 milhões de anos", e o comunicado não informa o método de datação. O fóssil original de Drimolen (DNH 134) era de uma criança de 2 a 4 anos, cuja forma adulta era incerta, e o novo espécime preenche essa lacuna. Para comparação, H. erectus adultos de Dmanisi, na Geórgia, têm cerca de 1,8 milhão de anos.

O que muda

Segundo Martin, o H. erectus é a primeira espécie de hominíneo que os pesquisadores em geral concordam que pertence ao nosso gênero, Homo, e provavelmente é ancestral direta dos humanos modernos (tradução livre). Martin sugere, como possibilidade, que o cérebro maior e os molares menores possam estar ligados a comer mais carne. Já o P. robustus desenvolveu, entre cerca de 2,0 e 1,8 milhão de anos atrás, dentes maiores e músculos de mastigação mais fortes, enquanto o cérebro ficou pouco maior que o de um chimpanzé. A população de Drimolen já tinha sido proposta como subespécie à parte (P. robustus ukusa), e os novos fósseis dão mais apoio a isso. Há 2 milhões de anos, o P. robustus superava o H. erectus em Drimolen por mais de 10 para 1.

Para entender o contexto

O Homo erectus é uma espécie de humano antigo que apareceu há cerca de 2 milhões de anos e foi a primeira a se espalhar para fora da África, chegando à Ásia e à Europa. Seus fósseis mais antigos fora da África, em Dmanisi, na Geórgia, têm cerca de 1,8 milhão de anos, e há vestígios na China e na Indonésia.

A região de Drimolen fica na área conhecida como Berço da Humanidade, perto de Joanesburgo, patrimônio mundial da UNESCO, que reúne algumas das jazidas fósseis mais importantes sobre a evolução humana. Recuar a presença do Homo erectus na África do Sul em cerca de 200 mil anos ajuda a entender como a espécie surgiu e onde, embora a interpretação dependa de datação e de comparação com outros fósseis.

Termos úteis

  • Homo erectus: Espécie de humano antigo que viveu de cerca de 2 milhões a poucas centenas de milhares de anos atrás.
  • Berço da Humanidade: Área de jazidas fósseis na África do Sul, patrimônio mundial da UNESCO.
  • Hominínio: Grupo que inclui os humanos e seus ancestrais depois da separação da linhagem dos chimpanzés.

As ressalvas

O comunicado chama a evidência sobre o H. erectus de "mais forte" e de "confirmação adicional", e não de conclusiva, e ela se baseia em um único fóssil adulto. Fósseis de hominíneos são raros, e por isso os pesquisadores muitas vezes precisam fazer estimativas sobre partes que faltam no registro. O texto descreve o DNH 127 ora como "segundo fragmento de crânio", ora como "fragmento de crânio adulto", sem esclarecer se é craniano ou mandibular. A ligação com a alimentação à base de carne é só uma possibilidade, e a ideia de "evolução em ação" é a interpretação do comunicado para diferenças entre fósseis ao longo de cerca de 200 mil anos.

Fonte: com base em comunicado da La Trobe University republicado pelo ScienceDaily (8 de outubro de 2026), sobre estudo publicado na Annals of Human Biology (2026; DOI 10.1080/03014460.2026.2725046). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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