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Gelo marinho do Ártico no inverno pode encolher mais do que se previa, sugere estudo com sedimentos de 6 mil anos

Ao comparar 27 modelos climáticos com marcadores químicos de gelo guardados no fundo do mar, pesquisadores estimam que o gelo de inverno em projeções futuras seja cerca de 1 milhão de km² menor do que se calculava.

Por Redação Watermouse Media6 de novembro de 20264 min de leitura
Gelo marinho ao lado de uma encosta de basalto avermelhada na ilha Axel Heiberg, no Ártico canadense
Gelo marinho junto à ilha Axel Heiberg, no Ártico canadense. Imagem ilustrativa, não é do estudo. Foto: Penny Higgins, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

O gelo marinho do Ártico no inverno pode diminuir mais do que as projeções atuais indicam, segundo um estudo que usou sedimentos do fundo do mar de cerca de 6.000 anos atrás para testar 27 modelos climáticos. Depois de dar mais peso aos modelos que melhor reproduzem esse passado, o gelo projetado para o futuro ficou cerca de 1 milhão de km² menor do que nas estimativas anteriores. O trabalho, de C. Y. Fu, M. B. Osman e M. A. Aquino-López, foi publicado na Nature Geoscience (DOI 10.1038/s41561-026-02123-w), e o texto em que nos baseamos é um comunicado da Universidade de Cambridge.

Como o passado foi usado

A equipe compilou o que descreve como o maior banco de dados do tipo sobre o IP25, um marcador químico produzido por algas que vivem no gelo marinho, em testemunhos de sedimento do oceano. Combinando esse marcador com sinais de organismos de água aberta, reconstruiu as condições de gelo do período do Holoceno médio, há cerca de 6.000 anos, quando mudanças na órbita da Terra deixaram o Ártico mais quente e com menos gelo.

Os pesquisadores compararam essas reconstruções com as simulações dos 27 modelos para o mesmo período e, por um método estatístico bayesiano, deram mais influência aos modelos que combinavam melhor com a evidência. Os mesmos pesos foram aplicados às simulações do passado recente e do futuro, partindo da ideia de que a física do gelo marinho se mantém em condições diferentes de clima.

O que o ajuste mostrou

Os modelos, em conjunto, superestimavam o gelo de inverno em relação à evidência antiga. Depois do ajuste, o viés positivo das simulações históricas foi eliminado, e a faixa de resultados possíveis em algumas projeções ficou até 85% mais estreita. "Quando aplicamos os pesos dos modelos às simulações históricas, eliminamos completamente o viés positivo", diz Crystal Fu, da Universidade de Cambridge (tradução livre). Marco Aquino-López, do Centro de Investigación en Matemáticas (CIMAT), do México, afirma que, com evidências do passado, é possível produzir mapas mais confiáveis (tradução livre).

A equipe também indica que os modelos atuais podem subestimar a neve no sudeste da Groenlândia e a chuva no Mediterrâneo. São indícios, não conclusões firmes. Mais neve na Groenlândia poderia afetar a estabilidade da calota de gelo, e mais chuva no Mediterrâneo, o risco de enchentes no sul da Europa. O contexto, segundo o texto, é que o gelo de inverno teve em março de 2025 o menor máximo anual já registrado, e em 2026 o Ártico igualou esse recorde.

Para entender o contexto

O gelo marinho do Ártico é a camada de água do mar congelada que cobre o oceano polar, e diminui no verão e se expande no inverno. Nas últimas décadas, a extensão do gelo, principalmente no fim do verão, caiu de forma marcante. Como o gelo reflete a luz do sol, menos gelo significa mais calor absorvido pelo oceano, um ciclo que amplifica o aquecimento na região.

Para saber como o gelo se comportou antes das medições por satélite, que começaram no fim dos anos 1970, os cientistas usam marcadores químicos preservados em sedimentos do fundo do mar, e os comparam com os resultados dos modelos climáticos. Se os modelos subestimam as mudanças passadas, suas projeções para o futuro podem ser otimistas demais.

Termos úteis

  • Gelo marinho: Gelo formado pelo congelamento da água do mar, diferente das geleiras, que se formam em terra.
  • Proxy climático: Indicador indireto do clima do passado, como a química de sedimentos ou de anéis de árvores.
  • Modelo climático: Simulação de computador do comportamento do clima da Terra.

As ressalvas

O aquecimento de 6.000 anos atrás teve causa orbital, e não humana, e os autores argumentam que a resposta do gelo segue os mesmos princípios físicos, "seja o aquecimento natural ou causado por humanos" (tradução livre). Ainda há incerteza dos dois lados da comparação, nas reconstruções do passado e nas simulações do futuro, e o texto não traz a faixa completa de incerteza nem os números de cada projeção além dos arredondados. O estudo recebeu apoio parcial da Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF) e do Cambridge Trust.

Fonte: com base em comunicado da Universidade de Cambridge republicado pelo ScienceDaily (26 de outubro de 2026), sobre estudo publicado na Nature Geoscience (2026; DOI 10.1038/s41561-026-02123-w). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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