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Novo modelo indica que a geleira Thwaites pode elevar o nível do mar em até 30 mm até 2100, o dobro de projeções anteriores

Pesquisadores da UC Irvine e do JPL da NASA dizem que modelos antigos tratavam o ponto em que o gelo começa a flutuar como uma linha fina. Ao representá-lo como uma zona larga, onde a água quente chega por baixo, os resultados se aproximam das observações.

Por Redação Watermouse Media31 de outubro de 20265 min de leitura
Imagem de satélite da geleira Thwaites, na Antártida, com gelo marinho fragmentado e áreas escuras de água aberta
A geleira Thwaites, na Antártida, em imagem do satélite Sentinel-1 de 6 de outubro de 2025, imagem ilustrativa, não faz parte do estudo. Crédito: União Europeia, imagem Copernicus Sentinel-1 (atribuição).

A geleira Thwaites, na Antártida Ocidental, conhecida como "geleira do Juízo Final", pode contribuir com até 30 milímetros para a elevação do nível do mar até 2100, o dobro das projeções anteriores, segundo um novo estudo na Nature Communications. O resultado, de um modelo desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine (UC Irvine) e do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, vale mesmo sem aquecimento adicional, diz o comunicado.

A Thwaites fica no Embaiamento do Mar de Amundsen, região que responde por cerca de um terço de toda a perda de massa da calota de gelo antártica. A geleira afinou e recuou rápido nas últimas décadas, e seu fluxo de gelo acelerou, algo que os modelos tradicionais tiveram dificuldade em reproduzir.

O que muda no modelo

Os modelos antigos tratavam a linha de ancoragem, ponto em que o gelo deixa de apoiar-se no leito e começa a flutuar, como uma linha estreita. O novo modelo, liderado por Mattia Poinelli, com Eric Rignot, da UC Irvine, entre os autores, a representa como uma zona de ancoragem mais larga, às vezes de quilômetros, onde a água quente chega por baixo do gelo. O mecanismo descrito é este: a água do mar entra por vários quilômetros sob o gelo que ainda repousa no fundo; com a maré, a água levanta o gelo e expõe repetidamente a sua face inferior ao mar quente e pressurizado.

Com essa mudança, o modelo reproduziu alterações das décadas de 1990 até hoje que foram quatro vezes mais intensas que as dos modelos convencionais. A equipe comparou as simulações com mais de duas décadas de observações e analisou dados de radar de abertura sintética da constelação de satélites ICEYE, da Finlândia, que mostraram oscilações ao longo de vários quilômetros da zona de ancoragem no tronco principal.

O que vem pela frente

O tronco principal está temporariamente estabilizado por uma elevação submarina, a Cordilheira Mouginot. Se a zona de ancoragem tiver de 4 a 6 km, o modelo indica 60% de chance de a Thwaites se soltar dessa cordilheira até o fim do século, possivelmente antes de 2100. Depois, o gelo recuaria por um fundo majoritariamente inclinado para dentro do continente, em direção à próxima elevação, a Cordilheira Sul. "A maioria das projeções até agora teve dificuldade em acompanhar a rapidez da perda de massa por causa de uma física que faltava", disse Rignot, para quem os resultados indicam um risco de inundação costeira maior que o esperado nas próximas décadas.

Para entender o contexto

As geleiras da Antártida repousam sobre rocha e, perto do mar, passam a flutuar. A linha em que isso acontece, a linha de ancoragem, é central para o equilíbrio do gelo: se ela recua, o gelo atrás fica mais exposto ao oceano e flui mais depressa para o mar.

Gelo que já flutua não eleva o nível do mar ao derreter, mas gelo que está sobre a terra e escoa para o oceano sim. Por isso, a Thwaites, uma das geleiras que mais perdem massa, é acompanhada de perto: pequenas diferenças nos modelos viram diferenças grandes nas projeções.

Termos úteis

  • Linha de ancoragem: ponto em que o gelo deixa de se apoiar no leito de rocha e começa a flutuar sobre o mar.
  • Zona de ancoragem: faixa, às vezes de quilômetros, onde o gelo oscila entre apoiado e flutuando, com as marés.
  • Radar de abertura sintética (SAR): técnica de satélite que mede o relevo e os movimentos da superfície, mesmo com nuvens ou sem luz.
  • Limite superior: valor máximo que um modelo projeta; o resultado real pode ser menor.

As ressalvas

Os 30 milímetros são um limite superior ("até"), resultado de um modelo, e não um desfecho garantido. A chance de 60% vale para o cenário de zona de ancoragem de 4 a 6 km. O comunicado diz que as projeções atualizadas sugerem que cientistas podem ter subestimado a contribuição da geleira, e que a abordagem é um caminho para reduzir incertezas, o que implica que elas continuam existindo.

Fonte: com base em comunicado da Universidade da Califórnia em Irvine divulgado pelo ScienceDaily sobre estudo publicado na Nature Communications (2026, volume 17), DOI 10.1038/s41467-026-77976-1. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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