China cria o "sexto seguro" para cuidar dos idosos
Pequim vai transformar o cuidado de longo prazo com idosos em um seguro social nacional, expandindo de pilotos para todo o país. Uma resposta a um problema que o Brasil também terá de encarar.
A China decidiu tratar o envelhecimento da sua população como uma questão de seguridade social, e não só de família. Em uma diretriz conjunta dos gabinetes do Comitê Central do Partido Comunista e do Conselho de Estado, publicada no fim de março, o país definiu o objetivo de construir um sistema nacional de seguro de cuidados de longo prazo que cubra toda a população, independentemente da situação de emprego. Hoje o programa roda como piloto em dezenas de cidades, e a meta é escalá-lo para todo o país nos próximos anos.
O programa cobre os custos do cuidado diário e das necessidades médicas de pessoas com limitações funcionais causadas por idade, doença ou deficiência. Na prática, é o que ajuda a bancar cuidadores em casa ou a estadia em uma casa de repouso. Segundo a diretriz, o seguro cobrirá entre 50% e 70% desses custos, dependendo da situação de emprego da pessoa, com financiamento vindo de uma combinação de empregadores, indivíduos, governo e recursos sociais.
A imprensa estatal apelidou a iniciativa de "sexto seguro", porque ela se soma aos cinco programas nacionais que já formam o núcleo da rede de proteção chinesa: aposentadoria, saúde, acidentes de trabalho, desemprego e maternidade. A escala explica a urgência: a China já tem mais de 300 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e o número de idosos com algum grau de dependência deve saltar dos cerca de 45 milhões de hoje para 77 milhões até 2030.
Por que isso importa no Brasil
O Brasil também envelhece rápido, e sem um sistema público equivalente de cuidados de longo prazo. Aqui, quando um idoso perde autonomia, o peso do cuidado recai quase inteiro sobre a família, em geral sobre as mulheres, ou sobre um mercado privado de cuidadores e casas de repouso que boa parte da população não consegue pagar. A aposta chinesa de transformar isso em um seguro social universal é um experimento de política pública que vale acompanhar de perto: é uma prévia de um debate que o Brasil terá de fazer nas próximas décadas, queira ou não.
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