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China cria o "sexto seguro" para cuidar dos idosos

Pequim vai transformar o cuidado de longo prazo com idosos em um seguro social nacional, expandindo de pilotos para todo o país. Uma resposta a um problema que o Brasil também terá de encarar.

Por Redação Watermouse Media15 de setembro de 20264 min de leitura
Fachada de uma casa de repouso para idosos.
Casa de repouso para idosos, imagem ilustrativa. Foto: Richard Dorrell, CC BY-SA 2.0.

A China decidiu tratar o envelhecimento da sua população como uma questão de seguridade social, e não só de família. Em uma diretriz conjunta dos gabinetes do Comitê Central do Partido Comunista e do Conselho de Estado, publicada no fim de março, o país definiu o objetivo de construir um sistema nacional de seguro de cuidados de longo prazo que cubra toda a população, independentemente da situação de emprego. Hoje o programa roda como piloto em dezenas de cidades, e a meta é escalá-lo para todo o país nos próximos anos.

O programa cobre os custos do cuidado diário e das necessidades médicas de pessoas com limitações funcionais causadas por idade, doença ou deficiência. Na prática, é o que ajuda a bancar cuidadores em casa ou a estadia em uma casa de repouso. Segundo a diretriz, o seguro cobrirá entre 50% e 70% desses custos, dependendo da situação de emprego da pessoa, com financiamento vindo de uma combinação de empregadores, indivíduos, governo e recursos sociais.

A imprensa estatal apelidou a iniciativa de "sexto seguro", porque ela se soma aos cinco programas nacionais que já formam o núcleo da rede de proteção chinesa: aposentadoria, saúde, acidentes de trabalho, desemprego e maternidade. A escala explica a urgência: a China já tem mais de 300 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e o número de idosos com algum grau de dependência deve saltar dos cerca de 45 milhões de hoje para 77 milhões até 2030.

Por que isso importa no Brasil

O Brasil também envelhece rápido, e sem um sistema público equivalente de cuidados de longo prazo. Aqui, quando um idoso perde autonomia, o peso do cuidado recai quase inteiro sobre a família, em geral sobre as mulheres, ou sobre um mercado privado de cuidadores e casas de repouso que boa parte da população não consegue pagar. A aposta chinesa de transformar isso em um seguro social universal é um experimento de política pública que vale acompanhar de perto: é uma prévia de um debate que o Brasil terá de fazer nas próximas décadas, queira ou não.

Para entender o contexto

A China está envelhecendo rápido: a população em idade de trabalho diminui e o número de idosos cresce, resultado, em parte, de décadas de política do filho único e da queda da natalidade. Isso aumenta a demanda por cuidados de longo prazo, que tradicionalmente eram assumidos pelas famílias.

O sistema de seguridade social chinês já inclui seguros de aposentadoria, saúde, desemprego, acidente de trabalho e maternidade, os cinco tradicionais. Um seguro específico para cuidados de longo prazo é uma resposta a esse envelhecimento. O Brasil também está envelhecendo, em ritmo acelerado, e discute quem paga e organiza o cuidado de pessoas idosas dependentes.

Termos úteis

  • Cuidados de longo prazo: Apoio contínuo a pessoas que precisam de ajuda nas atividades diárias, como idosos dependentes.
  • Seguridade social: Conjunto de políticas de proteção, como aposentadoria, saúde e seguros de risco.
  • Envelhecimento populacional: Aumento da proporção de idosos em relação ao total da população.
Fonte: com base em reportagem da CGTN e da agência Xinhua sobre a diretriz do Comitê Central do PCC e do Conselho de Estado da China (março de 2026). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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