Fungo gigante 'D-rex', descoberto na China, forma estruturas de até 50 cm e dá nome a uma nova família
A espécie Dianjunus rex, de Yunnan, tem corpos de frutificação de até 50 cm e 2,2 kg, os maiores já descritos entre os ascomicetos. A linhagem teria cerca de 65 milhões de anos, e a relação com a extinção dos dinossauros é só especulação.
Pesquisadores da China descreveram um fungo gigante, batizado de Dianjunus rex e apelidado de "D-rex", que forma estruturas de até 50 cm de altura e 2,2 kg, as maiores já registradas entre os ascomicetos, o maior grupo de fungos. O recorde anterior para esses fungos era de cerca de 20 a 30 cm. O estudo, de 19 autores e com Indunil C. Senanayake, do Banco de Germoplasma de Espécies Silvestres do Instituto de Botânica de Kunming, como responsável pela correspondência, saiu na Frontiers in Fungal Biology (DOI 10.3389/ffunb.2026.1940464). O texto em que nos baseamos é um comunicado da Frontiers.
Onde foi achado e o que é
O fungo foi coletado em Yunnan, em florestas temperadas de coníferas perto de Damaidi e Yipinglang e na floresta tropical perto de Nanbang. As estruturas esbranquiçadas (estromas) crescem a partir das raízes lenhosas de carvalhos-cortiça-chineses, emergindo do solo ao redor das raízes. O nome vem do tamanho e do antigo reino de Dian. A equipe coletou amostras, guardou espécimes de referência nas coleções do instituto, cultivou esporos em laboratório para estudar suas características e sequenciou o genoma. O fungo forma uma nova família, Dianjunaceae, na ordem Xylariales. O parente mais próximo conhecido é o Graphostroma platystoma, que vive em madeira morta de árvores de folha larga no Hemisfério Norte.
Uma linhagem antiga
Com um "relógio molecular", comparando o DNA com dados de centenas de outros fungos, a equipe estima que a linhagem tenha cerca de 65 milhões de anos, surgida cerca de um milhão de anos depois da extinção em massa do fim do Cretáceo, que eliminou os dinossauros não aviários. O título do estudo a descreve como uma linhagem do Paleoceno. Para os autores, o momento "levanta uma possibilidade intrigante": que as condições pós-extinção tenham ajudado seus ancestrais (tradução livre).
Para entender o contexto
Os fungos formam um dos grandes reinos da vida, tão diverso que a maior parte das espécies ainda não foi descrita. Muitos só são vistos quando formam estruturas de reprodução, como os cogumelos, os chamados corpos de frutificação. Os ascomicetos são o maior grupo de fungos e incluem leveduras, bolores, trufas e fungos de insetos.
A província chinesa de Yunnan é conhecida por sua enorme biodiversidade, inclusive de fungos. Descrever uma espécie nova e uma família nova é um trabalho que envolve análise de DNA para situá-la na árvore da vida. A ideia de que a linhagem tenha relação com a extinção dos dinossauros é só especulação, como a matéria faz questão de dizer.
Termos úteis
- Ascomiceto: Grupo de fungos que produzem esporos em estruturas chamadas ascos, o maior do reino dos fungos.
- Corpo de frutificação: Estrutura em que o fungo produz esporos, como um cogumelo.
- Família (taxonomia): Nível de classificação biológica acima do gênero.
As ressalvas
A ligação com a extinção em massa é especulativa. A explicação para o tamanho é uma hipótese: estruturas mais altas podem espalhar melhor os esporos pelo vento numa floresta densa, mas exigem muita energia. A capacidade de decompor madeira morta é inferida: os pesquisadores "acreditam" que enzimas parecidas possam permitir isso, e o texto não relata um teste direto. O comunicado diz também que a diversidade de fungos nas florestas subtropicais da China é subestimada, mas não dá uma estimativa de quantas espécies ainda não foram descritas. A foto desta matéria mostra outra espécie da mesma ordem, não o D-rex.
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