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Impressões digitais sugerem que mulheres e jovens ajudaram a fazer o Exército de Terracota

Em 36 estátuas, pesquisadores acharam 79 impressões digitais úteis. Um modelo matemático estima cerca de 45% de homens, 32% de mulheres e 22% de menores de 15 anos. É estimativa, não identificação direta.

Por Redação Watermouse Media31 de outubro de 20264 min de leitura
Close de três estátuas de guerreiros de terracota, de perfil, em tom de cinza claro
Estátuas de guerreiros do Exército de Terracota, em Xi'an, na China. Imagem ilustrativa. Foto: Gary Todd, CC0, via Wikimedia Commons.

Quem fez as estátuas do Exército de Terracota, enterrado ao lado da tumba do imperador Qin Shihuangdi há cerca de 2.200 anos? A suposição de longa data era que tinham sido só homens adultos, mas um estudo de impressões digitais preservadas na argila sugere que mulheres e jovens também participaram. O achado foi relatado pela revista Archaeology a partir de uma reportagem do Science Alert, e o texto não nomeia os autores do estudo original nem a revista em que ele saiu.

O exército foi descoberto em 1974 por camponeses que cavavam um poço, a cerca de 1,6 km (uma milha) da tumba. Inclui cerca de 8.000 estátuas de soldados, com rostos, penteados e armaduras variados.

Como foi feito

Os pesquisadores examinaram impressões digitais preservadas na argila de 36 estátuas de guerreiros de um mesmo fosso. Encontraram 91 impressões e excluíram 12 que pareciam vir de pessoas que deixaram várias marcas, ficando com 79. A distância entre as cristas das digitais serviu de pista para idade e sexo, e um modelo matemático estimou quem teria trabalhado nas peças.

O que apareceu

Das 79 impressões, 73 foram deixadas na modelagem, no acabamento e na montagem das estátuas, a maioria nas cabeças e nos braços. As outras 6 vieram da decoração, em unhas e em cinturas de armaduras. As estimativas apontam cerca de 45% de homens, 32% de mulheres e 22% de crianças e jovens com menos de 15 anos (os valores somam 99% por arredondamento). Os adolescentes podem ter sido aprendizes, algo que o texto liga a registros da dinastia Qin.

"Esses achados desafiam a suposição de longa data de que a produção do Exército de Terracota dependia exclusivamente de mão de obra masculina adulta", diz Xiaoxi Li, do Museu do Sítio do Mausoléu do Imperador Qin Shihuang (tradução livre).

Para entender o contexto

O Exército de Terracota foi enterrado perto do túmulo de Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China unificada, que morreu em 210 a.C. Foi descoberto em 1974 por agricultores perto de Xian, e estima-se que haja milhares de estátuas de soldados, cavalos e carros de guerra. Cada figura tem traços próprios, o que alimenta o interesse em saber como foram produzidas.

Impressões digitais são marcas deixadas por quem modelou a argila e, comparadas com padrões de grupos conhecidos, podem sugerir o perfil de quem trabalhava nas oficinas. Isso não identifica pessoas, e a estimativa depende de um modelo matemático e de dados de referência de populações modernas, que podem diferir das do passado. O resultado é interessante porque a organização do trabalho em oficinas imperiais costuma ser pouco documentada.

Termos úteis

  • Terracota: Argila cozida, usada em estátuas, vasos e telhas.
  • Oficina imperial: Local de produção organizada, no qual vários artesãos trabalhavam sob a direção do Estado.
  • Dermatoglifia: Estudo dos padrões das cristas da pele, como as impressões digitais.

As ressalvas

A estimativa de idade e sexo vem de um modelo matemático aplicado ao espaçamento das cristas das digitais, não de uma identificação direta. A amostra se limita a 36 estátuas de um único fosso, 12 das 91 impressões originais foram descartadas, e a ideia dos aprendizes é uma possibilidade, não um achado confirmado. Como a reportagem é de segunda mão, vale conferir o estudo original quando ele for identificado.

Fonte: com base em reportagem da revista Archaeology, que por sua vez se baseia em reportagem do Science Alert. O estudo original não é nomeado nas reportagens. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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