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Ciência

Estudo com aprendizado de máquina reforça que o espinossauro passava a maior parte do tempo na água

Pesquisadores de Yale usaram mais de 11 mil medições de ossos de membros e modelos treinados em animais vivos para estimar hábitos aquáticos. O resultado favorece o espinossauro como mergulhador, mas não resolve como ele caçava.

Por Redação Watermouse Media7 de novembro de 20265 min de leitura
Réplica de esqueleto de espinossauro, com a grande vela nas costas, exposta num salão de museu
Réplica do esqueleto de um espinossauro em museu. Imagem ilustrativa, não é do estudo. Foto: Ryan Somma, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

O espinossauro, dinossauro predador do norte da África de cerca de 113 a 94 milhões de anos atrás, passava a maior parte do tempo submerso, segundo um estudo da Universidade Yale que combinou medições de ossos com aprendizado de máquina. O trabalho, de Caleb M. Gordon, Lisa S. Freisem, Christopher T. Griffin, Jacques A. Gauthier e Bhart-Anjan S. Bhullar, saiu na Current Biology (35(24): 5982, DOI 10.1016/j.cub.2025.10.068). A página do ScienceDaily traz data de outubro de 2026, mas lista a publicação como de 2025. O texto em que nos baseamos é um comunicado de Yale.

Como foi feito

A equipe reuniu centenas de espécimes fósseis e atuais do Museu Peabody de Yale e de dezenas de outras instituições, com mais de 11 mil medições, além de fotos e tomografias. Modelos de aprendizado de máquina que levam em conta as relações evolutivas foram treinados em animais vivos para ligar proporções do esqueleto a estilos de vida conhecidos e prever características de partes moles que raramente fossilizam, como estruturas de natação. Também foi reaproveitado um método estatístico da década de 1940, criado na Segunda Guerra para estimar se um ponto no radar era um avião inimigo, agora para estimar a probabilidade de que um animal extinto tivesse membros modificados para nadar, mesmo sem evidência direta. As proporções dos membros anteriores foram especialmente úteis: os modelos acertaram com mais de 90% de precisão se um animal tinha nadadeiras de partes moles e se tinha hábitos muito ou totalmente aquáticos. O comunicado não diz como essa precisão foi validada.

O que o estudo encontrou

Para o espinossauro, a análise indica com força hábitos bastante aquáticos, ou seja, passar a maior parte do tempo submerso. Isso apoia a ideia do predador que caçava debaixo d'água, em vez do modelo de uma ave pernalta que ficava na margem. "Recuperamos com confiança hábitos muito aquáticos para o espinossauro", diz Gordon (tradução livre). Os mesossauros, de 290 a 274 milhões de anos atrás, na África do Sul e no leste da América do Sul, se moviam regularmente entre água e terra. Seus partos de filhotes vivos tinham sido citados como sinal de vida totalmente aquática, mas o estudo não sustenta isso. Os autores comparam o uso da terra ao de jacarés ou ornitorrincos. Todos os répteis marinhos do Paleozoico, anteriores aos dinossauros, voltavam à terra com regularidade, e nenhum parece ter sido totalmente aquático.

Para Bhullar, o método "tira a subjetividade" do processo e deixa os dados "falarem por si" (tradução livre), já que interpretações tradicionais costumam se apoiar num conjunto preferido de características. Os autores sugerem que a técnica poderia ajudar a estudar quando os ancestrais humanos passaram a andar sobre duas pernas e como os dinossauros da linhagem das aves evoluíram o voo.

Para entender o contexto

O espinossauro foi um dinossauro carnívoro gigante, com uma vela nas costas, que viveu no Norte da África há cerca de 100 milhões de anos. Seus parentes próximos também são conhecidos do Brasil: o Irritator e o Angaturama foram descritos a partir de fósseis da Bacia do Araripe, no Nordeste. Por isso o grupo é de interesse especial para a paleontologia brasileira.

Se o espinossauro vivia na água é uma pergunta que divide especialistas há anos, porque os ossos têm traços de adaptação aquática, mas também de vida em terra. Modelos de aprendizado de máquina treinados com medidas de animais vivos oferecem outra ferramenta de comparação, mas não substituem novas descobertas de fósseis, e o resultado só reforça uma interpretação.

Termos úteis

  • Espinossaurídeo: Grupo de dinossauros carnívoros de focinho alongado, parecido com o de crocodilos, associado a ambientes de água.
  • Aprendizado de máquina: Técnica em que um programa aprende padrões a partir de exemplos, sem regras escritas à mão.
  • Adaptação aquática: Característica do corpo que ajuda um animal a viver ou se mover na água.

As ressalvas

Os fósseis são incompletos, e características diferentes do esqueleto podem apontar estilos de vida diferentes. O método depende de padrões em animais vivos para inferir o comportamento de animais extintos, e os resultados não resolvem por completo como o espinossauro caçava. O comunicado não discute outras limitações, como viés de amostragem ou suposições dos modelos. O estudo foi apoiado pelo Instituto Yale de Estudos Biosféricos, pelo Grupo de Especialistas em Crocodilos da UICN e pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA.

Fonte: com base em comunicado da Universidade Yale republicado pelo ScienceDaily (25 de outubro de 2026), sobre estudo publicado na Current Biology (DOI 10.1016/j.cub.2025.10.068). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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