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Erupção que atingiu o Japão há 7.300 anos não destruiu todas as comunidades jomon, aponta estudo

Na região mais próxima, a população já estava em queda. Ao norte de Kyushu, ela continuou crescendo, e áreas distantes tiveram o crescimento interrompido. As causas dos efeitos à distância ainda são hipóteses.

Por Redação Watermouse Media6 de novembro de 20265 min de leitura
Vulcão de encosta verde e cume rochoso com uma pequena nuvem branca, visto do mar azul
O Iōdake, vulcão da ilha de Satsuma-Iōjima, na borda da caldeira de Kikai, em 2015. Foto: 名古屋太郎, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

A erupção submarina de Kikai-Akahoya, há cerca de 7.300 anos, perto do Japão, não teve o mesmo efeito sobre todas as comunidades jomon, de caçadores-coletores, segundo um estudo publicado na Science Advances (2026; vol. 12, nº 42; DOI 10.1126/sciadv.aeh7197). O texto de divulgação é da Universidade de Lund, republicado pelo ScienceDaily, e é nele que nos baseamos. O primeiro nome da lista de autores é Enrico R. Crema, e o último é Peter D. Jordan, de Lund. Também assinam Mitsuhiro Kuwahata, Junzo Uchiyama, Ari Junno e Felix Riede.

Duas teses, nenhuma completa

A erupção, segundo o texto, causou terremotos, tsunamis e metros de cinzas vulcânicas. A discussão entre os especialistas opunha a ideia de um "apocalipse quase total" à de que as populações foram pouco afetadas, e os autores dizem que nenhuma das duas explica bem as evidências. Peter Jordan descreveu a erupção como uma explosão a partir do fundo do mar, com pouco aviso.

O que muda conforme a região

No sul de Kyushu, a população jomon já estava em declínio antes da erupção, restavam poucas pessoas, sobretudo grupos de forrageio muito móveis. No norte de Kyushu, a população crescia antes e continuou crescendo depois, apesar do dano duradouro aos ecossistemas, e os pesquisadores sugerem que gente fugindo das áreas mais atingidas pode ter contribuído. As evidências indicam que sobreviventes do interior se mudaram para a costa norte, onde os ecossistemas marinhos se recuperaram relativamente rápido, e novas formas de usar os recursos do mar podem ter sustentado o crescimento. Já em regiões distantes do vulcão, que vinham crescendo, o aumento parou ou se reverteu, algo que, segundo o texto, não havia sido reconhecido antes. Crema disse que os sobreviventes migraram, criaram novas relações sociais e inventaram novos tipos de economia.

Para entender o contexto

A cultura Jomon foi uma sociedade de caçadores-coletores do arquipélago japonês, que durou milhares de anos, até cerca de 300 a.C., e é conhecida pela cerâmica decorada com marcas de corda, uma das mais antigas do mundo. Havia povoados grandes e relativamente estáveis, apesar de não praticarem agricultura em larga escala.

A erupção de Kikai-Akahoya, há cerca de 7.300 anos, é considerada uma das maiores dos últimos milênios, e é frequentemente citada como um evento que devastou a região mais próxima, no sul de Kyushu. O estudo mostra uma história mais complexa: efeitos desiguais, com a população do norte da ilha continuando a crescer, o que serve de lembrança de que desastres afetam sociedades de formas diferentes.

Termos úteis

  • Cultura Jomon: Sociedade pré-histórica do Japão, famosa pela cerâmica com marcas de corda.
  • Kyushu: Ilha mais ao sul das quatro principais do Japão.
  • Pré-história: Período anterior à escrita, estudado principalmente pela arqueologia.

As ressalvas

Os motivos propostos para os efeitos à distância são hipóteses, não conclusões: uma perturbação temporária do clima, forte desgaste dos dentes de cervos e javalis, fontes importantes de alimento dos jomon, possivelmente por pastarem em terra coberta de cinzas, e outros efeitos da erupção sobre saúde e condições de vida. O texto de divulgação não descreve os dados nem os métodos usados, como o tipo de evidência arqueológica ou o jeito de estimar a população, então não é possível avaliá-los aqui. Jordan concluiu que o estudo ajuda a entender como culturas lidam com choques repentinos e que quem sobrevive ainda tem escolhas, mesmo que limitadas.

Fonte: com base em texto da Universidade de Lund republicado pelo ScienceDaily (18 de outubro de 2026), sobre estudo publicado na Science Advances (2026; DOI 10.1126/sciadv.aeh7197). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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