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15 países da África Ocidental miram uma moeda única em 2027, a ECO

O bloco CEDEAO reafirmou o plano de lançar a ECO em 2027, uma moeda comum para 15 países. Se sair do papel, pode enterrar o franco CFA, herança ligada à França, e criar um dos maiores experimentos monetários do mundo.

Por Redação Watermouse Media29 de setembro de 20264 min de leitura

Enquanto o mundo discute BRICS e "des-dolarização", um dos experimentos monetários mais ambiciosos do planeta acontece longe dos holofotes brasileiros: a África Ocidental quer ter uma moeda comum. Em julho de 2026, os líderes da CEDEAO (a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) reafirmaram, em cúpula em Freetown, o compromisso de lançar a moeda única do bloco, chamada ECO, em 2027.

São 15 países muito diferentes entre si, de gigantes como a Nigéria a economias pequenas, tentando fazer o que a Europa levou décadas para construir com o euro. A adesão será faseada: só entram na primeira leva os países que cumprirem critérios de convergência acordados, entre eles déficit público abaixo de 3% do PIB, inflação abaixo de 10% e dívida pública que não passe de 70% do PIB. Quem ainda não se enquadra recebe apoio técnico para chegar lá.

Há um peso simbólico enorme aqui. Boa parte desses países hoje usa o franco CFA, uma moeda de origem colonial atrelada ao euro e historicamente ligada à França, alvo de críticas por limitar a soberania econômica da região. A ECO é vista por muitos como o caminho para virar essa página. Vale o ceticismo: o projeto já foi adiado várias vezes (a pandemia empurrou o prazo para 2027), e unir economias tão distintas numa só moeda é dificílimo. Mas a direção está reafirmada.

Por que isso importa no Brasil

O Brasil acompanha de perto os debates sobre integração e alternativas ao dólar, inclusive dentro dos BRICS, onde volta e meia se fala em moedas comuns ou comércio em moeda local. A tentativa da África Ocidental é um laboratório real desse tipo de ideia, com todas as suas promessas e armadilhas. Além disso, é a história de uma região tentando se livrar de uma moeda de herança colonial, um tema que dialoga com discussões de soberania e desenvolvimento que também são nossas. E o Brasil comercia com a África: entender esse movimento é entender um parceiro em transformação.

Fonte: com base em noticiário sobre a 69ª Sessão Ordinária da CEDEAO (julho de 2026) e o cronograma da moeda ECO, entre ele o do The Guardian (Nigéria). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos às fontes; o texto não é uma tradução.

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