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Ciência

Osso de dinossauro de 115 milhões de anos preserva vestígios químicos de glóbulos vermelhos

Pesquisadores da Curtin University e de instituições brasileiras encontraram, em um osso de Aratasaurus museunacionali, estruturas que seriam glóbulos vermelhos fossilizados, com sinais químicos de heme, componente da hemoglobina. A explicação para a preservação é uma hipótese da equipe.

Por Redação Watermouse Media4 de novembro de 20264 min de leitura
Ilustração de um pequeno dinossauro terópode de penas ao pôr do sol, sobre troncos caídos
Reconstrução artística de Aratasaurus museunacionali. Ilustração: Maurilio Oliveira (CC BY 4.0), via Wikimedia Commons.

Sangue é uma das primeiras coisas que se decompõem depois da morte. Por isso, uma equipe liderada pela Curtin University chamou atenção ao relatar glóbulos vermelhos preservados em um osso de dinossauro com cerca de 115 milhões de anos, acompanhados de sinais químicos de heme, a parte da hemoglobina que carrega oxigênio.

O que a equipe encontrou

O material vem de ossos de membro de Aratasaurus museunacionali, um dinossauro terópode achado no Brasil. Dentro dos canais por onde passavam vasos sanguíneos, os pesquisadores viram numerosas estruturas que interpretam como glóbulos vermelhos, mineralizadas com um mineral chamado hausmannite. Eles também detectaram evidências químicas de heme intacto e aminoácidos do colágeno. Segundo o comunicado, estudos anteriores já tinham descrito possíveis estruturas de glóbulos vermelhos, mas sem provar quimicamente a presença de moléculas derivadas da hemoglobina.

Por que isso teria sobrevivido

A equipe acredita que o animal foi soterrado rapidamente depois de morrer, em um ambiente com pouco oxigênio e rico em micróbios, e que a hausmannite ajudou a estabilizar as estruturas e as moléculas ao longo do tempo geológico. Isso é uma hipótese dos autores, não uma conclusão confirmada.

Por que importa

A pesquisadora Kliti Grice, autora principal, diz que o resultado desafia a ideia de que moléculas como a hemoglobina não resistem ao tempo profundo. O trabalho pode ajudar a estudar a evolução do sangue e do metabolismo em animais extintos, e um dos diretores da escola de pesquisa cita possíveis usos na busca por vida antiga fora da Terra.

Para entender o contexto

Em geral, só as partes duras dos animais, como ossos e dentes, viram fóssil. Moléculas orgânicas, como proteínas, tendem a se degradar com o tempo, e por isso qualquer indício delas em material tão antigo costuma gerar debate.

O heme é o grupo químico que dá ao sangue a cor vermelha e permite à hemoglobina se ligar ao oxigênio. Encontrá-lo preservado seria um sinal químico direto, e não apenas uma forma parecida com um glóbulo vermelho.

Termos úteis

  • Heme: grupo químico com ferro, parte da hemoglobina, que carrega o oxigênio no sangue
  • Colágeno: proteína estrutural presente em ossos e tecidos conjuntivos
  • Terópode: grupo de dinossauros que andavam sobre duas patas, em geral carnívoros
  • Hausmannite: mineral de óxido de manganês que, segundo a equipe, estabilizou as estruturas

As ressalvas

O texto do comunicado não discute limitações, o tamanho da amostra nem interpretações alternativas, e a explicação sobre as condições de soterramento é uma hipótese da equipe. A afirmação de ineditismo se refere à prova química de heme e de aminoácidos do colágeno nessas estruturas. Resultados desse tipo costumam depender de confirmação por outros grupos. É um resumo de comunicado de imprensa.

Fonte: com base em comunicado da Curtin University divulgado pelo Phys.org sobre o artigo "Heme signatures in mineralized red blood cells within vascular canals of a 115-million-year-old dinosaur bone" (Kliti Grice e colegas), publicado no PNAS em 2026, DOI 10.1073/pnas.2614248123. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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