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Ciência

Dinossauro de 210 milhões de anos achado no Zimbábue sugere que a região tinha uma fauna própria

Musango matusadonaensis, um sauropodomorfo de cerca de 4,5 metros e 220 quilos, vem das margens do Lago Kariba. Segundo os autores, os dinossauros zimbabuanos não eram uma simples extensão dos sul-africanos, mas o motivo ainda está em investigação.

Por Redação Watermouse Media5 de novembro de 20264 min de leitura
Vista de satélite do Lago Kariba, uma mancha azul escura cercada de terreno marrom e verde, com nuvens no canto
O Lago Kariba, onde foram achados os fósseis, visto da Estação Espacial Internacional. Foto: tripulação da Expedição 4 da ISS (domínio público), via Wikimedia Commons. Imagem ilustrativa do local, não do fóssil.

A maior parte do que se sabe sobre os primeiros dinossauros africanos veio da África do Sul. Um esqueleto achado às margens do Lago Kariba, no Zimbábue, sugere que ao norte havia uma fauna diferente. O animal, batizado Musango matusadonaensis por uma equipe do Natural History Museum, do Reino Unido, e da Universidade de Witwatersrand, tem cerca de 210 milhões de anos, do Triássico Superior.

O animal

Musango era um sauropodomorfo, o subgrupo que deu origem aos grandes dinossauros de pescoço longo, como o Diplodocus. Esse, porém, era pequeno: cerca de 4,5 metros de comprimento e 220 quilos, e andava sobre duas patas. As marcas de crescimento nos ossos indicam que era um subadulto. O esqueleto está incompleto e sem o crânio, então a dieta é desconhecida, embora os parentes próximos fossem sobretudo herbívoros. Um desses parentes, Musankwa, foi descrito em 2024 nas mesmas camadas.

O ambiente e a descoberta

Os fósseis estão em rochas avermelhadas de lama e arenito depositadas por rios antigos, na margem do rio Nyamasango, perto da Ilha Musango. A paisagem da época era seca, com grandes coníferas e corredores verdes ao longo de cursos d'água permanentes. Os sítios foram encontrados por Steve Edwards, gerente de um acampamento de safári, e o pesquisador Jonah Choiniere, de Witwatersrand, reuniu a equipe internacional. Em 2017 e 2018, as expedições usaram um barco-casa como hotel e laboratório móvel.

Uma fauna à parte

Segundo o texto, todo o material coletado até agora pertence a espécies diferentes das conhecidas em outros lugares, e os parentes mais próximos dos dinossauros zimbabuanos não são os vizinhos sul-africanos. Também apareceram peixes pulmonados e fitossauros, répteis aquáticos, fósseis raros ou ausentes nos sítios da África do Sul. Parte da coleção histórica de Bulawayo também não parece poder ser atribuída a espécies sul-africanas, o que contraria suposições antigas: ossos de dinossauros são relatados no Zimbábue desde 1916, mas os achados iniciais foram ligados a espécies já conhecidas na África do Sul.

Para entender o contexto

O Triássico Superior, de cerca de 237 a 201 milhões de anos atrás, é a época em que os primeiros dinossauros ainda dividiam os ecossistemas com outros grupos de répteis. Nessa época, os continentes estavam juntos num supercontinente, a Pangeia.

A África abriga até 25% das espécies animais e vegetais da Terra hoje, e os primeiros fósseis de dinossauros africanos descritos cientificamente vêm do Cabo Oriental, na África do Sul, nos anos 1850.

Termos úteis

  • Sauropodomorfo: subgrupo de dinossauros que deu origem aos gigantes de pescoço longo.
  • Triássico: período geológico que vai de cerca de 252 a 201 milhões de anos atrás.
  • Fitossauro: réptil aquático do Triássico, de focinho comprido, parecido com um crocodilo.
  • Subadulto: indivíduo quase adulto, mas ainda em crescimento.

As ressalvas

Os autores suspeitam que diferenças de clima expliquem a diferença de fauna, já que o Zimbábue fica mais ao norte e mais perto do equador, mas isso ainda não foi confirmado. Eles pretendem voltar ao Kariba para buscar mais fósseis e obter idades e ambientes mais precisos das rochas. O texto-fonte é um artigo de divulgação: não nomeia a formação geológica nem a revista científica, e o esqueleto, sem crânio, limita o que se pode dizer sobre o hábito alimentar do animal.

Fonte: com base em texto de Paul Barrett, do Natural History Museum (Reino Unido), publicado no The Conversation e reproduzido pelo ScienceDaily, sobre o estudo de Musango matusadonaensis, com pesquisadores do Natural History Museum e da Universidade de Witwatersrand, DOI 10.1080/14772019.2026.2678610 (Taylor & Francis). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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