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Por que os crocodilianos sobreviveram ao asteroide que matou os dinossauros? Estudo da UCL aponta o clima quente

Uma análise de mais de 7.000 fósseis e simulações de clima ao longo de 245 milhões de anos sugere que o grupo seguia climas quentes e pôde se refugiar nos trópicos depois do impacto. Os autores dizem que isso é um fator provável, não o único.

Por Redação Watermouse Media4 de novembro de 20264 min de leitura
Um crocodilo-do-nilo meio submerso entre pedras em um rio, com a boca entreaberta e os dentes à mostra
Crocodilo-do-nilo no rio Zambeze, imagem ilustrativa, não é um animal do estudo. Foto: Bernard Gagnon (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons.

Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide atingiu a Terra e os dinossauros não avianos desapareceram. Os crocodilianos, parentes distantes deles na árvore dos arcossauros, atravessaram o mesmo desastre e continuam por aí. Um estudo liderado pelo paleontólogo Alfio Alessandro Chiarenza, da University College London (UCL), publicado na Science Advances, propõe que o clima ajuda a explicar a diferença.

O que a equipe analisou

Os pesquisadores reuniram mais de 7.000 fósseis e registros de mais de 400 espécies, vivas e extintas, de crocodilianos e de seus parentes, os pseudosuquios. Para cerca de 400 espécies, reconstruíram a temperatura e a preferência de chuva dos ambientes onde viveram. Depois, usaram modelos de computador que recriam o clima e a geografia do planeta ao longo de 245 milhões de anos.

Seguir o calor

A conclusão é que o grupo, em cerca de 250 milhões de anos, tendeu a seguir climas quentes em vez de se adaptar a temperaturas muito diferentes. Quando o planeta esquentava, os animais se expandiam. Por volta de 50 milhões de anos atrás, no início do Eoceno, as temperaturas globais estavam uns 10 °C acima das atuais, sem gelo polar permanente, e parentes dos crocodilianos viviam em altas latitudes da América do Norte, da Europa e da Antártida. Quando esfriava, recuavam para os trópicos. Também houve exceções: há cerca de 94 milhões de anos, no auge do calor do Cretáceo, um ramo tolerou temperaturas maiores que o resto do grupo, e há uns 34 milhões de anos, na Austrália, um grupo extinto se adaptou a ambientes áridos.

E depois do impacto

Nas simulações do pós-impacto, com redução de 5% ou 10% da luz solar, as regiões equatoriais continuaram adequadas a esses animais. Com redução de 15%, não, um cenário que os autores consideram improvável. Para a equipe, isso indica que o asteroide não tornou o planeta igualmente hostil a todos os grupos: trópicos e subtrópicos podem ter servido de refúgio a sobreviventes que depois se recuperaram. Um modelo anterior da mesma equipe tinha indicado que o habitat adequado aos dinossauros não avianos encolheu muito mais.

Para entender o contexto

Os crocodilianos de hoje, que incluem crocodilos, jacarés e gaviais, são os últimos representantes de um grupo muito mais diverso. Há dezenas de milhões de anos, os parentes deles iam do Sarcosuchus, que chegava a 12 metros, ao Postosuchus, um predador terrestre que podia andar sobre duas ou quatro patas.

A pergunta do estudo é por que o grupo conseguiu atravessar o impacto e seguir adiante, e a resposta proposta passa pelo clima.

Termos úteis

  • Pseudosuquios: grupo de arcossauros que inclui os crocodilianos atuais e seus parentes extintos.
  • Ectotérmico: animal que depende do calor do ambiente para regular a temperatura do corpo, o que reduz o gasto de energia.
  • Refúgio: região onde as condições permitem que algumas espécies sobrevivam a uma crise.
  • Arcossauros: grupo de répteis que inclui crocodilianos, dinossauros (e, portanto, as aves) e pterossauros.

As ressalvas

Os autores dizem que o clima é provavelmente só um dos motivos. Também ajudaram, segundo o texto, o porte relativamente pequeno, a vida parcialmente na água, a dieta flexível e o baixo gasto de energia desses animais. As conclusões sobre refúgios vêm de simulações, e por isso carregam incerteza: o texto usa expressões como "sugere" e "pode ter". O coautor Philip Mannion lembra ainda que hoje estradas, fazendas e cidades limitam o deslocamento da fauna, e que as espécies atuais vão precisar de espaço para se mover conforme o planeta esquenta.

Fonte: com base em comunicado da University College London (UCL) divulgado pelo ScienceDaily sobre o artigo "Climatic niche conservatism shapes the macroevolution, extinction, and survivorship of crocodile-line archosaurs" (Chiarenza, Howard, Varnham, Farnsworth, Valdes e Mannion), publicado na Science Advances (2026, volume 12, nº 43), DOI 10.1126/sciadv.aeg2217. Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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