Todas as notícias
Cultura

Cão mumificado sem pelos de pelo menos 1.200 anos é achado no Peru, e a dieta de filhotes lembra a de crianças

Escavações em Castillo de Huarmey, um centro administrativo e funerário do Império Wari, reuniram restos de ao menos 19 cães. Os pesquisadores não sabem se eram animais de estimação ou de trabalho.

Por Redação Watermouse Media4 de novembro de 20265 min de leitura
Cão de pelagem escura, magro e sem pelos, de pé ao lado de uma cerca branca, em perfil, durante uma exposição
Um cão sem pelos do Peru atual. A imagem é apenas ilustrativa e não mostra os animais encontrados em Castillo de Huarmey. Foto: Томасина, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Arqueólogos encontraram em Castillo de Huarmey, no norte do Peru, os restos de ao menos 19 cães, entre eles um macho adulto quase completo e naturalmente mumificado, com idade de pelo menos 1.200 anos por datação por radiocarbono. O estudo foi publicado no Journal of Anthropological Archaeology (2026; DOI 10.1016/j.jaa.2026.101767). O primeiro nome da lista de autores é Weronika Tomczyk, que atua em pesquisa e em pós-doutorado no Dartmouth College, e o texto de divulgação do Dartmouth foi reproduzido pelo ScienceDaily, que serve de base a esta matéria.

O sítio e o achado

Castillo de Huarmey fica a cerca de 190 milhas (cerca de 305 km) ao norte de Lima, em um deserto muito árido da costa do Pacífico. O complexo ocupa 110 acres (cerca de 45 hectares) e foi um centro administrativo e funerário do Império Wari, ocupado de 600 a 1050 d.C. O texto o descreve como o único sítio wari conhecido na costa norte do Peru. Já havia rendido uma tumba de elite intacta, em 2012, e sepultamentos de artesãos de elite, em 2022. As escavações de 2010 a 2025 reuniram 341 fragmentos de ossos de cães, de pelo menos 19 indivíduos, mais o macho mumificado. Um terremoto em 1970 e saqueadores bagunçaram as camadas superiores, onde estava a maior parte dos ossos de animais, mas as mais profundas ficaram intactas.

Cães sem pelos

Três restos se destacaram na parte norte da área cerimonial principal: um crânio mumificado com a pele sem pelos e as orelhas preservadas, pintado com cinábrio, um pigmento vermelho; um segundo crânio, maior; e o esqueleto mumificado do macho, enterrado em uma cova rasa. Vários animais não tinham os primeiros pré-molares, e alguns não tinham os últimos molares. Tomczyk relaciona isso ao gene que causa a ausência de pelos, também associado a menos dentes, o que sustenta a identificação como cães sem pelos peruanos. Entre os enterros havia um filhote de 6 a 8 semanas perto de um artesão de elite apelidado de "Mestre Cesteiro", um cão adulto dentro do palácio e filhotes junto a um indivíduo XY provavelmente sacrificado como guardião da tumba. Só poucos ossos tinham marcas de corte, o que sugere que cães não eram comuns na mesa.

O que a dieta mostra

A equipe analisou isótopos de carbono, nitrogênio, oxigênio e estrôncio em ossos e dentes e comparou com restos de pessoas e de camelídeos (lhamas e alpacas) do sítio. A maioria dos cães comeu ao menos um pouco de milho, em sobreposição com a dieta humana. Os filhotes sem pelos tinham dietas parecidas com as de crianças, e a dieta ficava mais variada com a idade.

Para entender o contexto

O Império Wari floresceu nos Andes centrais, onde hoje é o Peru, entre cerca de 600 e 1000 d.C., antes dos incas. Castillo de Huarmey, na costa norte, foi um centro administrativo e funerário, famoso pela descoberta, em 2012, de um mausoléu com restos de mulheres da elite wari, acompanhadas de objetos de ouro, prata e cerâmica.

O cão peruano sem pelos, ou viringo, é uma raça tradicional da região, que se acredita ter sido criada há séculos, e continua existindo hoje. Descobrir cães mumificados dá pistas sobre o papel dos animais nas sociedades andinas, em rituais, na companhia ou no trabalho, mas os pesquisadores dizem que não sabem qual deles se aplica nesse caso.

Termos úteis

  • Império Wari: Sociedade andina que dominou boa parte do Peru entre cerca de 600 e 1000 d.C.
  • Mumificação natural: Preservação de um corpo pelo clima seco e pela ausência de umidade, sem embalsamamento.
  • Cão peruano sem pelos: Raça antiga de cão sem pelo, tradicional da costa do Peru, também chamada viringo.

As ressalvas

Os pesquisadores não conseguem dizer se os cães eram animais de estimação, de trabalho ou tinham outra função. Tomczyk disse que não se sabe se eles foram alimentados com milho de propósito ou se comiam sobras e lixo, e que os padrões poderiam apontar para uma criação organizada. Segundo Tomczyk, emoções do passado são difíceis de captar por métodos arqueológicos. A mistura nas camadas superiores também complica a leitura. O cão mumificado chegou a ser suspeito de ser recente, da época dos saques, até a datação confirmar a idade.

Fonte: com base em texto do Dartmouth College republicado pelo ScienceDaily (17 de outubro de 2026), sobre estudo publicado no Journal of Anthropological Archaeology (2026; DOI 10.1016/j.jaa.2026.101767). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

Gostou? Receba as próximas.

As histórias que não chegam em português, uma vez por semana, em 3 minutos de leitura. Sem spam.

Ao assinar, você concorda em receber a newsletter (com confirmação e link para sair em todo envio) e, conforme a política de privacidade, com o uso dos seus dados para medição e anúncios.