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Fornos de tijolos mais limpos em Bangladesh cortam poluição, mas os ganhos não chegaram aos trabalhadores

Mudanças simples na operação reduziram o uso de energia em cerca de 10,5%. Mas um segundo estudo, com 1.442 trabalhadores, não achou melhora em salários, saúde, trabalho infantil ou tráfico de pessoas.

Por Redação Watermouse Media5 de novembro de 20265 min de leitura
Uma olaria antiga com chaminé de tijolos, galpões de telhado vermelho e um guindaste azul sob céu limpo
Uma olaria com chaminé em Lage, na Alemanha. Imagem ilustrativa, sem relação com Bangladesh. Foto: Bärbel Miemietz, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Bangladesh é o quarto maior produtor de tijolos do mundo, e cerca de 8.000 fornos tradicionais abastecem mais de 90% do consumo do país. Um conjunto de estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Michigan, de Stanford e do centro icddr,b, de Bangladesh, mostra que mudanças baratas na operação desses fornos reduzem energia e poluição, mas que isso, por si só, não melhorou a vida de quem trabalha neles. A divulgação é da Universidade de Michigan, republicada pelo Phys.org em 24 de outubro de 2026.

Entre os pesquisadores estão Nina Brooks, da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Michigan, Grant Miller, de medicina em Stanford e primeira autoria do estudo trabalhista, publicado na PNAS (2026, DOI 10.1073/pnas.2528388123), Sameer Maithel, principal especialista técnico da equipe, e Mohammad Saeed Munim, do icddr,b. O estudo ambiental saiu na Science, sem data informada no texto.

O que mudou nos fornos

A intervenção foi de baixo custo e sem trocar o forno: alimentar o carvão de forma mais contínua, reempilhar os tijolos para melhorar a circulação de ar e reduzir a perda de calor, com treinamento e apoio técnico. Nos fornos que receberam a intervenção, o uso de energia caiu cerca de 10,5%, com redução estimada de 171 toneladas de CO2 e de cerca de 0,45 tonelada de material particulado (PM2,5) por forno por temporada. Entre os fornos que de fato adotaram as práticas, a energia caiu cerca de 23% e CO2 e PM2,5, cerca de 20%.

Os donos gastaram menos com combustível (queda de 9,6%) e produziram mais tijolos de boa qualidade (alta de 8,1%), e a adoção continuou e aumentou na temporada seguinte. O contexto: a poluição do ar ambiente causa 4,9 milhões de mortes prematuras no mundo, 32% delas no sul da Ásia.

O que aconteceu com os trabalhadores

O estudo trabalhista cobriu 246 fornos na divisão de Khulna e entrevistou, em particular, 1.442 trabalhadores. Setenta por cento não tinham equipamento de proteção, 71% não tinham contrato formal e 42% relataram liberdade limitada de movimento ou de comunicação. Em quase metade dos fornos, pelo menos 1 em cada 6 trabalhadores se enquadrava nas definições de tráfico de pessoas para trabalho do Departamento de Estado dos EUA, e o índice geral foi de cerca de 20%. Adultos relataram trabalho infantil em mais de 70% dos fornos, sobretudo de crianças de 14 a 17 anos.

O resultado central: apesar dos ganhos de produtividade, não houve melhora mensurável em tráfico, trabalho infantil, salários, saúde ou condições de trabalho durante o período do estudo. Segundo os autores, em mercados de trabalho marcados por coerção e pouco poder de barganha, não dá para supor que os ganhos de produtividade cheguem aos trabalhadores, e a lei é difícil de fazer cumprir em setores informais. "Não podemos contar só com ganhos de produtividade para isso, pelo menos não no curto prazo", diz Miller (tradução livre).

O que vem agora, e as ressalvas

Mudar os fornos de lugar, longe de escolas e unidades de saúde, não é viável em um país tão populoso, diz Brooks. A equipe testa agora medidas voltadas aos trabalhadores: equipamentos de proteção (máscaras, óculos, calçados e proteção para a cabeça), saneamento e cozinha, áreas de descanso com sombra, água limpa, conscientização sobre estresse térmico e informação sobre trabalho infantil. A maioria dos donos entrevistados não se opôs e viu os custos como pequenos, embora alguns discordem de partes específicas.

Os efeitos sobre os trabalhadores foram medidos só no curto prazo, e ampliar a escala é lento e complexo por causa da informalidade e do apoio técnico desigual. A adoção é menor na região de Dacca do que em Khulna, embora os efeitos sejam parecidos entre quem adotou, e esses resultados seguem em pesquisa.

Para entender o contexto

Fornos de tijolo queimam carvão, lenha ou outros combustíveis e estão entre as maiores fontes de poluição do ar no Sul da Ásia, onde Bangladesh produz bilhões de tijolos por ano para uma construção civil em rápida expansão. A fumaça tem fuligem e partículas finas que prejudicam a saúde de quem vive perto e, principalmente, de quem trabalha ali.

O setor também é conhecido por condições duras de trabalho, como jornadas longas, dívidas que prendem famílias ao emprego e trabalho de crianças. Por isso é relevante o achado de que uma melhoria técnica reduziu a poluição sem melhorar a vida dos trabalhadores: tecnologia limpa não resolve sozinha problemas de renda e de direitos. O Brasil também tem olarias artesanais com problemas semelhantes de poluição e informalidade.

Termos úteis

  • Material particulado: Partículas muito pequenas no ar, como a fuligem, que entram nos pulmões e prejudicam a saúde.
  • Eficiência energética: Capacidade de produzir o mesmo resultado gastando menos energia.
  • Servidão por dívida: Situação em que uma pessoa trabalha para pagar uma dívida que não consegue quitar.
Fonte: com base em comunicado da Universidade de Michigan republicado pelo Phys.org (24 de outubro de 2026), sobre estudos publicados na Science e na PNAS (2026). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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