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Ciência

Ave de 150 milhões de anos tinha dentes de dinossauro e provavelmente não voava

A Yuezhuornis yangyuanensis, achada na China, seria o caso mais antigo conhecido de uma linhagem de aves que perdeu o voo. Isso é inferido das proporções do corpo, não visto diretamente.

Por Redação Watermouse Media5 de novembro de 20264 min de leitura
Fóssil de Archaeopteryx em rocha clara, com esqueleto e marcas de penas
Fóssil de Archaeopteryx, outra ave primitiva do Jurássico, usada no estudo como ponto de comparação. Imagem ilustrativa, não é a espécie descrita. Foto: James L. Amos, CC0, via Wikimedia Commons.

Uma ave do Jurássico Superior, de cerca de 150 a 148 milhões de anos e do tamanho de um corvo, tinha dentes de dinossauro e provavelmente não conseguia voar. A espécie, Yuezhuornis yangyuanensis, foi achada na chamada fauna de Zhenghe, na província de Fujian, no sudeste da China, e descrita em estudo do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados (IVPP), da Academia Chinesa de Ciências, e do Instituto de Ciências Geológicas de Fujian. O artigo, de Liming Xu, Min Wang, Zhonghe Zhou e outros, saiu na Nature (2026, vol. 658, nº 8136, p. 690, DOI 10.1038/s41586-026-10972-z) com o título "Jurassic flightless bird reveals early ecological diversity of avialans".

Um bico de ave, dentes de dinossauro

Os dentes são juntos e serrilhados, parecidos com os dos deinonicossauros, dinossauros carnívoros aparentados das aves, um tipo de dente incomum em aves primitivas. O segundo dedo do pé consegue se dobrar para trás de forma incomum e tem uma garra curva, em forma de foice, associada a dromeossaurídeos e troodontídeos. Já a pelve e os membros traseiros lembram os de aves.

Onde ela se encaixa, e por que o "sem voo"

A análise a coloca dentro dos Avialae, o grupo das aves modernas e seus parentes extintos mais próximos, logo acima do Archaeopteryx e como grupo irmão de Zhengheornis. As proporções dos membros lembram as de aves modernas que vivem no chão e as de dinossauros próximos das aves, o que leva os autores a concluir que a espécie provavelmente passava a vida no solo e não conseguia voar. Os cientistas acreditam que seja o caso mais antigo conhecido de uma linhagem de aves que perdeu o voo.

Os métodos citados são a máxima parcimônia e a análise bayesiana com datação dos táxons (tip-dating), para posicionar a espécie na árvore evolutiva, além de medidas das proporções do esqueleto e comparações estatísticas com outros animais para inferir como ela se movia.

O que isso muda, e as ressalvas

Para os autores, a evolução das aves não foi um processo simples e em linha reta rumo a voar melhor: as primeiras aves já exploravam vários papéis ecológicos e formas de corpo, e a fauna de Zhenghe ajuda a estudar um período pouco compreendido. "A evolução inicial das aves foi muito mais complicada do que imaginávamos", diz Min Wang (tradução livre).

Mas a falta de voo é inferida das proporções dos membros e de comparações estatísticas, sem evidência direta, e o texto usa expressões como "parece", "provavelmente" e "sugere". A divulgação também não informa o número de espécimes analisados nem medidas exatas.

Para entender o contexto

As aves descendem de dinossauros terópodes, e os fósseis mais antigos de aves e de seus parentes próximos têm cerca de 150 milhões de anos, do final do Jurássico. O mais famoso é o Archaeopteryx, achado na Alemanha, com penas, asas e dentes. Na China, a região de Liaoning e outras formações trouxeram centenas de fósseis de aves primitivas e de dinossauros com penas.

Perder a capacidade de voar aconteceu várias vezes na história das aves, como nas avestruzes, emas e pinguins. Dizer que uma ave antiga não voava, a partir das proporções do corpo, é uma inferência: sem observar o animal vivo, os cientistas comparam o tamanho das asas e dos ossos com os de aves atuais.

Termos úteis

  • Terópode: Grupo de dinossauros que andavam sobre dois pés e inclui o ancestral das aves.
  • Jurássico: Período da Era dos Dinossauros, de cerca de 201 a 145 milhões de anos atrás.
  • Ave não voadora: Ave que perdeu, ao longo da evolução, a capacidade de voar.
Fonte: com base em comunicado da Academia Chinesa de Ciências divulgado pelo ScienceDaily (23 de outubro de 2026) sobre estudo publicado na Nature (2026, DOI 10.1038/s41586-026-10972-z). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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