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Cidade maia de Ake continuou habitada por séculos depois do colapso, indica estudo

Pesquisadores encontraram vestígios de 96 pequenas estruturas de postes e palha em Ake, em Yucatán, datadas de cerca de 1100 a 1550. A cidade, antes tida como abandonada, teria sido reocupada de outro jeito.

Por Redação Watermouse Media4 de novembro de 20264 min de leitura
Uma pirâmide maia de pedra em degraus, em Mayapán, em Yucatán, com céu azul e nuvens ao fundo
Estrutura em Mayapán, outro sítio maia de Yucatán (não é Ake). Imagem ilustrativa. Foto: Travel4Brews, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

Ake, uma cidade maia de Yucatán, no México, era tida como abandonada depois do seu colapso político. Um novo estudo indica que não foi bem assim: as pessoas continuaram vivendo na área por centenas de anos, em casas simples erguidas sobre os restos da cidade antiga. A pesquisa foi liderada por Roberto Rosado-Ramirez, da Universidade da Virgínia, e saiu na revista Latin American Antiquity (DOI 10.1017/laq.2026.10210). O texto em que nos baseamos é um resumo da revista Archaeology, que por sua vez cita uma reportagem do Greek Reporter, e não nomeia os demais autores.

Uma cidade grande, e uma queda

Por volta do ano 900, até 19.000 pessoas podem ter vivido em Ake. Seca, conflitos e violência levaram a uma convulsão política e ao declínio da cidade.

O que foi encontrado

Os pesquisadores identificaram vestígios de 96 pequenas estruturas, feitas com postes e telhados de palha, sobre montículos no centro murado da cidade. Algumas foram construídas por cima de antigas praças, estradas e construções caídas, e reaproveitaram grandes pedras dos prédios que tinham desabado. Cinco delas eram pequenas estruturas parecidas com santuários, que guardavam incensários de cerâmica, estatuetas de animais e vasilhas.

Mós, ferramentas de pedra, fusos de fiar e ossos de animais sugerem que ali se preparava comida, se cozinhava, se tecia e se fazia trabalho doméstico. A cerâmica dos montículos e de uma fossa de lixo data a ocupação de cerca de 1100 a 1550. Os últimos moradores teriam sido removidos pelos espanhóis entre 1567 e 1580, algo que o texto apresenta como suposição ("acredita-se").

Para entender o contexto

A civilização maia teve seu auge no período Clássico, até por volta de 800 a 900 d.C., quando muitas cidades das terras baixas do sul foram abandonadas em um processo conhecido como colapso. Mas isso não significa o fim do povo maia: milhões de pessoas descendentes falam línguas maias até hoje, e várias cidades do norte da península de Yucatã continuaram ou ganharam importância depois.

Ake, em Yucatã, tem grandes estruturas de pedra, e a descoberta de pequenas construções de madeira e palha entre elas sugere um uso diferente do espaço no período posterior. Esse tipo de vestígio é difícil de achar porque materiais perecíveis desaparecem, e costuma exigir métodos como o mapeamento com laser (LiDAR) e escavações cuidadosas.

Termos úteis

  • Colapso maia: Abandono de muitas cidades das terras baixas do sul maia entre cerca de 800 e 900 d.C.
  • Pós-clássico: Período da história mesoamericana depois do colapso, de cerca de 900 até a chegada dos espanhóis.
  • LiDAR: Tecnologia que mede distâncias com laser e revela estruturas escondidas sob a vegetação.

As ressalvas

As atividades (cozinhar, tecer, trabalho doméstico) são deduzidas dos objetos, e não observadas diretamente. A datação depende de cerâmica de contextos limitados, os montículos e uma fossa, e a remoção pelos espanhóis é uma interpretação, não um fato confirmado. O texto não traz contagem de sepultamentos nem de outros achados além das 96 estruturas e dos cinco santuários, e se baseia em um relato de segunda mão de um único estudo.

Fonte: com base em reportagem da revista Archaeology (22 de outubro de 2026) sobre estudo publicado na Latin American Antiquity (DOI 10.1017/laq.2026.10210). Cobertura original da Watermouse Media, com contexto para o leitor brasileiro. Os fatos são atribuídos à fonte; o texto não é uma tradução.

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