57 países com mais de 1 milhão de habitantes já têm menos filhos por mulher que o Brasil, e eles reúnem 2,7 bilhões de pessoas
A taxa de fecundidade do Brasil é de 1,61 filho por mulher, abaixo do nível de reposição. Pelos dados do Banco Mundial, o país está no meio de um grupo grande: China, Japão, Itália e Alemanha estão abaixo; Índia, Estados Unidos e Nigéria, acima.
O Brasil tem hoje, em média, 1,61 filho por mulher, segundo o Banco Mundial. É menos que os cerca de 2,1 considerados o nível de reposição, e muita gente ouve isso como um caso brasileiro. Os dados mostram que o país está num grupo grande. Entre os 159 países com 1 milhão de habitantes ou mais, 57 têm taxa menor que a brasileira, e juntos reúnem cerca de 2,7 bilhões de pessoas, dos 8,15 bilhões somados nesses 159 países.
Quem está abaixo do Brasil
As menores taxas são as da Coreia do Sul (0,75), de Hong Kong (0,84), de Porto Rico (0,92), de Singapura (0,97), da Ucrânia (0,99) e da China (1,01). Entre os países mais populosos abaixo do Brasil estão ainda Japão (1,15), Itália (1,18), Tailândia (1,20), Alemanha (1,36), Rússia (1,42), Turquia (1,48) e Reino Unido (1,55). A França, com 1,61, fica praticamente empatada.
Quem está acima
Os Estados Unidos têm 1,63, praticamente a mesma taxa do Brasil. A Índia tem 1,96, abaixo da reposição, e a Indonésia, 2,12, e Bangladesh, 2,14, ficam um pouco acima. As taxas mais altas entre os grandes estão no Paquistão (3,55), na Etiópia (3,91) e na Nigéria (4,38).
O que o número significa
No total, 80 dos 159 países têm taxa abaixo de 2,1, e 79 estão acima. Ou seja, a fronteira da reposição divide o mundo quase ao meio. Para o Brasil, que tem 1,61, estar na faixa baixa significa que, sem migração, a população tende a parar de crescer e a envelhecer mais rápido, o que pesa sobre a Previdência e o mercado de trabalho. O número, porém, não é uma previsão: ele mede o comportamento de um ano e pode mudar.
Para entender o contexto
A taxa de fecundidade total é o número médio de filhos que uma mulher teria se vivesse toda a idade fértil com as taxas de cada idade observadas hoje. É diferente do número de filhos de uma mulher específica e diferente da natalidade, que conta nascimentos por mil habitantes.O nível de reposição, cerca de 2,1, é o necessário para a população se manter estável sem migração, em países com baixa mortalidade. Abaixo disso, o número de nascimentos acaba ficando menor que o de mortes depois de algumas décadas.
Termos úteis
- Taxa de fecundidade total: número médio de filhos por mulher ao longo da vida fértil, dado o padrão de um ano.
- Nível de reposição: taxa de cerca de 2,1 filhos por mulher que mantém a população estável sem migração.
- Natalidade: número de nascimentos por mil habitantes em um ano.
- Transição demográfica: passagem de altas para baixas taxas de natalidade e mortalidade, que envelhece a população.
As ressalvas
As taxas são estimativas do Banco Mundial para 2024, e o nível de reposição de 2,1 é uma referência para países com baixa mortalidade; em países com mortalidade mais alta, ele é maior. Hong Kong e Porto Rico aparecem porque a base os lista como economias separadas. A soma de 2,7 bilhões usa a população mais recente de cada país na base e é um cálculo nosso. Taxa de fecundidade não diz nada sobre o quanto a população vai mudar na prática, porque migração e mortalidade também contam. Se achar algum número estranho, avise a gente.
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